Foi gerado por IA o vídeo em que uma pessoa afirma que fará greve de fome até que o líder venezuelano Nicolás Maduro seja libertado pelo governo americano. Aos Fatos verificou que a gravação original foi publicada por um perfil especializado em conteúdo sintético. Além disso, há distorções na figura do homem e no cenário que apontam que a gravação é falsa.
As peças enganosas somavam 35 mil curtidas no Instagram, 355 mil visualizações no X e milhares de visualizações no TikTok até a tarde desta quinta-feira (8).
Socialista vegano diz que só vai voltar a comer quando Maduro for libertado

Posts nas redes têm compartilhado como se fosse real um vídeo gerado por IA em que um homem afirma que fará greve de fome até que Maduro seja solto pelo governo Trump. Por meio de busca reversa, Aos Fatos encontrou o registro original e verificou que ele foi produzido por um perfil no Instagram especializado em conteúdos sintéticos.
Há também outros elementos que apontam que a gravação é falsa:
- A pele do homem possui um aspecto “emborrachado”, com aparência lisa e homogênea, sem textura humana real;
- Efeito semelhante ocorre no cabelo, que aparece “borrado” e sem qualquer movimentação, mesmo que o vídeo esteja sendo gravado ao ar livre;
- Em determinado momento do vídeo, a pulseira do homem se funde ao seu antebraço;
- Ao fundo, a janela possui um corte estrutural incomum, que acompanha a região da cabeça e do pescoço da pessoa que aparece na filmagem.

Desde sábado (3), data da captura de Maduro, tem sido recorrente nas redes o compartilhamento de imagens geradas por IA. Ao longo desta semana, Aos Fatos já desmentiu quatro peças de desinformação (veja aqui, aqui aqui e aqui) que usavam a tecnologia para enganar usuários.
O líder venezuelano e sua mulher, Cilia Flores, serão julgados pela Justiça americana em um tribunal de Nova York por crimes como narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e posse de armamentos.
Em audiência na manhã de segunda (5), o Maduro se declarou inocente de todas as acusações e alegou ser um “prisioneiro de guerra” pelo presidente americano Donald Trump.
O caminho da apuração
Aos Fatos realizou uma busca reversa para localizar a origem do vídeo e identificou que a publicação inicial partiu de um perfil especializado na produção de conteúdos sintéticos.
Em seguida, analisamos quadro a quadro as imagens para identificar inconsistências visuais comuns em vídeos gerados por inteligência artificial.




