Foi gerado por IA o vídeo que mostra um suposto funeral coletivo de soldados israelenses em meio ao conflito com o Irã. Além de conter distorções típicas de conteúdos gerados por inteligência artificial, como falhas visuais e inconsistências no áudio, o registro foi publicado originalmente por um perfil especializado em gravações sintéticas.
As publicações falsas acumulavam ao menos 5.000 visualizações no X até a tarde desta terça-feira (7).
Os colonos judeus sionistas, amplamente apoiadores do regime sionista, que antes faziam dancinha para o TikTok comemorando os bombardeios em Gaza e o assassinato de crianças, agora choram em desespero e clamam para que o Irã pare com a retaliação.

Publicações nas redes têm compartilhado como se fosse autêntico um vídeo gerado por inteligência artificial que supostamente mostraria um funeral coletivo de combatentes do exército de Israel em meio à guerra com o Irã.
Aos Fatos verificou que a gravação original foi publicada por um perfil no TikTok especializado em conteúdos sintéticos. O mesmo usuário já postou uma série de outros vídeos gerados por IA simulando cerimônias fúnebres de soldados israelenses (veja abaixo):

Além disso, a publicação possui uma série de outros indícios de que foi feita por IA:
- O áudio do choro tem tom artificial e o número de vozes é incompatível com a quantidade de pessoas presentes na cena;
- Alguns dos caixões não têm delimitação e se sobrepõem a outros, especialmente ao fundo da imagem;
- Há diversos rostos borrados na multidão;
- Há discrepância entre a área focal da imagem — os caixões em primeiro plano — e o restante da cena, que aparece desfocada;
- Há inconsistência nas sombras, que não correspondem à iluminação da cena.

Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram uma ofensiva militar conjunta contra o Irã. Os ataques atingiram alvos em Teerã, resultando na morte do aiatolá Ali Khamenei e de oficiais de alto escalão do país. O Irã retaliou lançando mísseis contra Israel e contra bases dos EUA em diversos países do golfo Pérsico.
De acordo com o Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel, afiliado à Universidade de Tel Aviv, ao menos 31 cidadãos do país morreram desde o início do confronto. O número é incompatível com a quantidade de caixões presentes nas publicações enganosas.
No Irã, ao menos 2.000 pessoas morreram, segundo dados oficiais. Dos Estados Unidos, foram confirmados 13 óbitos, todos de militares.
Na segunda (6), o Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo temporária discutida com os EUA e mediadores regionais. De acordo com o país persa, os termos do acordo permitiriam que seus adversários se organizassem para mais tarde retomarem o conflito.
O principal ponto abordado nas negociações era a reabertura do estreito de Ormuz, rota marítima de 20% do petróleo consumido globalmente.
Nesta terça (7), o presidente americano Donald Trump fez ameaças aos iranianos e ameaçou destruir o país caso a passagem não seja reaberta.
Esta peça de desinformação também foi checada pela AFP e pelo UOL Confere.
O caminho da apuração
Aos Fatos localizou a gravação original a partir da marca d’água do TikTok presente na peça de desinformação e verificou que o autor do conteúdo já publicou uma série de outros registros gerados por IA sobre o conflito entre Irã, EUA e Israel.
A reportagem também analisou a gravação e encontrou outros indícios típicos de manipulação, como sons artificiais, presença de rostos borrados e inconsistências na sombra.
Por fim, buscamos notícias recentes sobre a guerra no Oriente Médio para contextualizar a checagem.





