Vídeo que mostra funeral coletivo de soldados israelenses é gerado por IA

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Foi gerado por IA o vídeo que mostra um suposto funeral coletivo de soldados israelenses em meio ao conflito com o Irã. Além de conter distorções típicas de conteúdos gerados por inteligência artificial, como falhas visuais e inconsistências no áudio, o registro foi publicado originalmente por um perfil especializado em gravações sintéticas.

As publicações falsas acumulavam ao menos 5.000 visualizações no X até a tarde desta terça-feira (7).

Os colonos judeus sionistas, amplamente apoiadores do regime sionista, que antes faziam dancinha para o TikTok comemorando os bombardeios em Gaza e o assassinato de crianças, agora choram em desespero e clamam para que o Irã pare com a retaliação.

Imagem gerada por IA mostra uma grande quantidade de caixões dispostos lado a lado, todos cobertos por bandeiras de Israel, com a estrela de Davi visível. À frente dos caixões, há um grupo de pessoas reunidas, muitas vestidas de preto, algumas com a cabeça coberta, aparentando participar de uma cerimônia. No centro, um homem com vestimenta clara lê um texto, enquanto outros ao redor seguram livros ou observam em silêncio. Ao fundo, é possível ver ambulâncias estacionadas e mais pessoas agrupadas.

Publicações nas redes têm compartilhado como se fosse autêntico um vídeo gerado por inteligência artificial que supostamente mostraria um funeral coletivo de combatentes do exército de Israel em meio à guerra com o Irã.

Aos Fatos verificou que a gravação original foi publicada por um perfil no TikTok especializado em conteúdos sintéticos. O mesmo usuário já postou uma série de outros vídeos gerados por IA simulando cerimônias fúnebres de soldados israelenses (veja abaixo):

Grade com oito miniaturas de vídeos organizadas em duas fileiras. Cada miniatura tem um número de visualizações no canto inferior esquerdo. Na primeira linha, a primeira miniatura mostra três pessoas em um ambiente interno; há um texto em árabe em uma faixa vermelha. As três miniaturas seguintes mostram cenas semelhantes de um cortejo fúnebre com várias pessoas caminhando, algumas vestindo roupas militares e outras roupas formais, carregando caixões cobertos por bandeiras de Israel. Na segunda linha, a primeira miniatura mostra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu — homem branco de cabelos grisalhos vestindo terno preto —, em frente a bandeiras de Israel, com expressão de choro. As três miniaturas seguintes mostram cortejos fúnebres similares aos da primeira linha.
Perfil responsável pela peça de desinformação já divulgou outros vídeos sintéticos similares (Reprodução/TikTok)

Além disso, a publicação possui uma série de outros indícios de que foi feita por IA:

  • O áudio do choro tem tom artificial e o número de vozes é incompatível com a quantidade de pessoas presentes na cena;
  • Alguns dos caixões não têm delimitação e se sobrepõem a outros, especialmente ao fundo da imagem;
  • Há diversos rostos borrados na multidão;
  • Há discrepância entre a área focal da imagem — os caixões em primeiro plano — e o restante da cena, que aparece desfocada;
  • Há inconsistência nas sombras, que não correspondem à iluminação da cena.
A imagem mostra uma grande quantidade de caixões dispostos em fileiras, todos cobertos por bandeiras de Israel (brancas com listras azuis e uma estrela de seis pontas no centro). À frente e entre os caixões, há um grupo numeroso de pessoas reunidas, a maioria vestindo roupas escuras. Algumas pessoas usam chapéus pretos e outras têm barba longa. Ao fundo, aparecem ambulâncias brancas com faixas vermelhas estacionadas. Três áreas da imagem estão destacadas com círculos laranja: duas sobre grupos de pessoas no meio da multidão e uma sobre um dos caixões na parte inferior. No canto inferior direito, há um pequeno símbolo com as letras ‘af’ dentro de um formato escuro.
Imagem apresenta inconsistências compatíveis com o uso de inteligência artificial (Reprodução/TikTok)

Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram uma ofensiva militar conjunta contra o Irã. Os ataques atingiram alvos em Teerã, resultando na morte do aiatolá Ali Khamenei e de oficiais de alto escalão do país. O Irã retaliou lançando mísseis contra Israel e contra bases dos EUA em diversos países do golfo Pérsico.

De acordo com o Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel, afiliado à Universidade de Tel Aviv, ao menos 31 cidadãos do país morreram desde o início do confronto. O número é incompatível com a quantidade de caixões presentes nas publicações enganosas.

No Irã, ao menos 2.000 pessoas morreram, segundo dados oficiais. Dos Estados Unidos, foram confirmados 13 óbitos, todos de militares.

Na segunda (6), o Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo temporária discutida com os EUA e mediadores regionais. De acordo com o país persa, os termos do acordo permitiriam que seus adversários se organizassem para mais tarde retomarem o conflito.

O principal ponto abordado nas negociações era a reabertura do estreito de Ormuz, rota marítima de 20% do petróleo consumido globalmente.

Nesta terça (7), o presidente americano Donald Trump fez ameaças aos iranianos e ameaçou destruir o país caso a passagem não seja reaberta.

Esta peça de desinformação também foi checada pela AFP e pelo UOL Confere.

O caminho da apuração

Aos Fatos localizou a gravação original a partir da marca d’água do TikTok presente na peça de desinformação e verificou que o autor do conteúdo já publicou uma série de outros registros gerados por IA sobre o conflito entre Irã, EUA e Israel.

A reportagem também analisou a gravação e encontrou outros indícios típicos de manipulação, como sons artificiais, presença de rostos borrados e inconsistências na sombra.

Por fim, buscamos notícias recentes sobre a guerra no Oriente Médio para contextualizar a checagem.

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