Vídeo em que secretário de Saúde da Bahia libera uso de cloroquina é de abril, não atual

Por Bernardo Barbosa

14 de agosto de 2020, 16h26


Posts no Facebook distorcem o contexto de um vídeo divulgado em abril no qual o secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, anuncia que o estado passou a permitir o uso de cloroquina no tratamento de pacientes com Covid-19 (veja aqui). A gravação é verdadeira, mas as publicações na rede social dizem que o anúncio foi feito só depois que “milhares de pessoas morreram”, o que não procede.

Apesar de o governo da Bahia permitir o uso da cloroquina no tratamento de pessoas com Covid-19 e fornecer o medicamento, a Secretaria Estadual de Saúde não recomenda o uso do remédio, já que não há comprovação científica de sua eficácia contra a doença.

Os posts com a informação distorcida somam 1.000 compartilhamentos no Facebook e foram marcados com o selo DISTORCIDO na ferramenta de verificação da rede social (saiba como funciona). Esta classificação é usada quando uma informação verdadeira é tirada de contexto com o objetivo de induzir uma interpretação errada sobre um fato.


DISTORCIDO

Depois que Milhares de Pessoas Morreram para justificar investimentos, Governador da Bahia Rui Costa (PT) e o Secretário de Saúde Fábio Vilas Boas Liberam a Hidroxicloroquina.

Um vídeo no qual o secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, anuncia a autorização do uso da cloroquina no tratamento de pacientes de Covid-19 no estado foi tirado de contexto em posts no Facebook para dar a entender que a medida é recente. O vídeo foi divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde em 8 de abril.

Um destes posts, publicado na noite de quinta-feira (13), diz que Vilas-Boas e o governador Rui Costa (PT) liberaram a cloroquina “depois que milhares de pessoas morreram”. Até o dia 8 de abril, quando o vídeo de Vilas-Boas foi publicado, o estado havia registrado 18 mortes por Covid-19, segundo dados do próprio governo baiano.

O estado ultrapassou o primeiro milhar de vítimas fatais da Covid-19 no dia 11 de junho, dois meses após a publicação do vídeo. Até a tarde desta sexta-feira (14), o total de óbitos pela doença na Bahia já havia chegado a 4.246, de acordo com a Secretaria de Saúde.

Em maio, a Secretaria Estadual de Saúde atualizou a nota técnica 41, na qual chegou a recomendar o uso da hidroxicloroquina para pacientes de Covid-19.

No entanto, esta recomendação foi revogada em 21 de julho. Na nota técnica 77, o governo baiano diz que não recomenda o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina “para tratamento ou prevenção da Covid-19 em qualquer contexto que não seja de um estudo de ensaio clínico”.

Na nota técnica 76, também publicada em 21 de julho, as autoridades estaduais dizem que não recomendam o uso de nenhum medicamento contra a Covid-19, e embasam a orientação nas manifestações da Opas (Organização Pan-americana de Saúde), da OMS (Organização Mundial da Saúde) e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O mesmo documento diz ainda que “essa recomendação de não uso inclui, com maior ênfase, medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina.”

Apesar disso, o governo afirma que “continuará fornecendo tais medicações para os municípios e/ou unidades de saúde da Bahia, para o uso autorizado e recomendado pelas autoridades sanitárias competentes”.

Também em julho, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarou que a Bahia “estava com decreto proibindo” o uso da cloroquina por pacientes de Covid-19, o que nunca aconteceu.

Referências:

1. Secretaria Estadual de Saúde da Bahia (1, 2, 3, 4, 5, 6)
2. G1
3. Aos Fatos


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