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Vídeo em que mulher preenche cédulas em branco não indica fraude nas eleições dos EUA

Por Amanda Ribeiro e Luiz Fernando Menezes

6 de novembro de 2020, 17h29

É falso que um vídeo que mostra uma mulher preenchendo cédulas em branco prove a existência de fraude nas eleições americanas. As imagens (veja aqui), tiradas de uma transmissão ao vivo de contagem de votos no condado de Delaware (Pensilvânia) mostram, na verdade, uma funcionária passando a limpo os votos registrados em cédulas danificadas e que não poderiam ser lidas pelo scanner que realiza a contagem. O processo foi monitorado por observadores dos partidos Republicano e Democrata e não foi constatada irregularidade.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (6), autoridades de Delaware também ressaltam que o enquadramento das imagens foi aproximado para sugerir que os dois funcionários estariam trabalhando sozinhos. Na verdade, eles dividem a sala com outros colegas e todos são acompanhados pelos observadores dos partidos, situados a alguns metros de distância.

Compartilhado primeiramente nas redes sociais americanas, o conteúdo enganoso passou a circular no Brasil e acumulava ao menos 6.000 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta sexta-feira (6). Todas as postagens foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da rede social (saiba como funciona).


FALSO

Trechos de uma transmissão ao vivo de contagem de votos feita em Delaware (Pensilvânia) em que uma funcionária escreve em cédulas de votação têm sido compartilhados nas redes como prova de fraude nas eleições americanas. Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira (6), autoridades do condado explicaram que a mulher passava a limpo cédulas de votação danificadas que não poderiam ser lidas pelo scanner. O processo foi fiscalizado por observadores dos partidos Republicano e Democrata e não foram constatadas irregularidades.

De acordo com o condado, as cédulas teriam sido danificadas pela máquina extratora usada para abri-las. Seguindo orientação da empresa que manufatura os scanners, foi determinado que os funcionários passassem os votos a limpo em novas cédulas. Os documentos danificados foram preservados.

As imagens que estão sendo compartilhadas foram aproximadas e, por isso, não mostram que o processo era acompanhado de perto por um representante de cada um dos partidos. “O vídeo verdadeiro mostra o funcionário trabalhando em uma mesa ao lado de vários outros colegas em uma sala cheia de pessoas com observadores bipartidários a alguns metros de cada mesa, observando atentamente o trabalhador a aproximadamente 6 pés [cerca de 1,80 m] de distância”, diz a nota.

O mesmo trecho e recorte do vídeo também circulou nas redes sociais americanas com a falsa alegação de que se tratava de uma fraude eleitoral. As postagens foram desmentidas pelas equipes do Politifact e do Lead Stories.

Além deste vídeo, Aos Fatos também já checou registros que mostravam mesários colocando votos falsos em urnas e outros em que funcionários completavam os votos dos eleitores para garantir que o scanner os computasse corretamente, ambos utilizados como supostas provas de fraudes.

Referências:

1. Condado de Delaware (Fontes 1 e 2)
2. Aos Fatos (Fontes 1 e 2)

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