Vídeo em que mesários inserem votos falsos em urnas foi gravado na Rússia, não nos EUA

Por Luiz Fernando Menezes

6 de novembro de 2020, 12h26

Não foi gravado nos Estados Unidos o vídeo em que mesários eleitorais inserem votos falsos em urnas. O registro, que vem sendo compartilhado nas redes para sugerir a existência de uma fraude no último pleito, na verdade foi feito na Rússia durante as eleições de 2018. Segundo relatos da imprensa, o vídeo mostra uma votação fraudulenta em Lyubertsy que foi anulada após o vazamento das imagens.

Publicações que veiculam o vídeo em contexto enganoso (veja aqui) circularam primeiro nas redes sociais americanas. No Brasil, as peças acumulavam ao menos 7.500 compartilhamentos no Facebook nesta sexta-feira (6). Todas foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (veja como funciona).


FALSO

Um vídeo em que mesários eleitorais aparecem inserindo diversas cédulas em urnas de votação vem sendo compartilhado nas redes como se mostrasse uma fraude ocorrida nas eleições americanas. Por mais que as imagens sejam reais, elas não foram gravadas nos EUA, mas na Rússia, e sequer são recentes.

O vídeo apareceu originalmente em uma reportagem do Washington Post publicada no dia 19 de março de 2018. Segundo o texto, que noticiava a reeleição do presidente da Rússia, Vladimir Putin, por uma maioria de 76% dos votos, o pleito foi marcado por denúncias de irregularidades, como ataques aos monitores eleitorais e vídeos que mostravam votações fraudulentas. O registro em questão mostra um exemplo em que dois oficiais eleitorais de Lyubertsy inseriram cédulas nas urnas. De acordo com a reportagem, os resultados da região foram anulados após o vazamento das imagens por uma televisão local.

Outro indício de que o vídeo foi gravado na Rússia, e não nos EUA, é o símbolo que aparece na urna de votação. A imagem, que traz uma águia amarela de duas cabeças sobre um fundo vermelho é idêntica ao brasão russo oficial.

Da mesma forma que vem acontecendo durante a semana, a peça de desinformação circulou primeiro nos EUA antes de ser importada para as redes brasileiras. Lá, o vídeo com o falso contexto foi verificado pelas equipes do Politifact e do Detroit Free Press.

O vídeo descontextualizado vai ao encontro da narrativa de que há fraudes nas eleições e que vem sendo disseminada pelo próprio presidente dos EUA, Donald Trump. Na quarta-feira (4), o republicano afirmou, pelo Twitter, que estava liderando os votos em estados democratas, mas que “votos surpresa” começaram a aparecer em cada um deles. O movimento descrito pelo presidente, no entanto, é comum em uma contagem de votos.

Aos Fatos já desmentiu outras sete desinformações sobre supostas fraudes nos EUA até o momento. Na última quinta-feira (6), por exemplo, circularam nas redes peças que afirmavam que cédulas com votos em Trump teriam sido enterradas no Arizona, que democratas e imprensa teriam interrompido a contagem de votos e que uma operação do FBI teria resultado na prisão de oito pessoas que estavam queimando votos de eleitores republicanos.

Referências:

1. Washington Post (Fontes 1 e 2)
2. Governo de Duma
3. Twitter (@realDonaldTrump)
4. Politifact
5. Aos Fatos (Fontes 1, 2 e 3)

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