Não é verdade que o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), declarou no plenário da corte que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sofre uma “perseguição descarada”, como fazem crer posts nas redes. O conteúdo foi alterado por IA (inteligência artificial) para inserir uma dublagem enganosa.
Publicações nas redes com o conteúdo manipulado acumulavam 240 mil visualizações no TikTok, 3.000 compartilhamentos no X e 2.500 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quinta-feira (31). A postagem enganosa ainda alcançou centenas de pessoas no Kwai.
André Mendonça fala na cara dos ministros que estão perseguindo Bolsonaro.

Publicações nas redes compartilham como se fosse real um vídeo manipulado por IA que mostra o ministro André Mendonça, do STF, declarando no plenário da corte que o ex-presidente Jair Bolsonaro sofre uma “perseguição descarada” por seus colegas do Supremo.
Uma análise no registro enganoso permitiu identificar que há inconsistências comuns a peças manipuladas por IA, como o movimento irregular dos lábios e voz com aspecto artificial.
Através de uma busca reversa, Aos Fatos identificou que o trecho manipulado foi extraído da sessão plenária do dia 23 de abril deste ano (veja abaixo).
O plenário do STF analisava um recurso apresentado pelo Google contra uma ordem judicial no âmbito das investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, em 2018, sobre a quebra de sigilo de buscas na internet.
Em nenhum momento da sessão o ministro André Mendonça defendeu Jair Bolsonaro ou acusou seus colegas de perseguirem o ex-presidente, réu no inquérito que investiga uma tentativa de golpe de Estado. O político sequer tinha relação com o caso analisado no Supremo naquele dia.
O caminho da apuração
Aos Fatos fez uma análise do vídeo usado nas peças enganosas e identificou indícios de que o registro havia sido manipulado por IA. Em uma busca reversa, a reportagem encontrou o vídeo original de uma sessão plenária do Supremo Tribunal Federal do dia 23 de abril deste ano, que tratava de um recurso do Google sobre a quebra de sigilo de buscas na internet. Em nenhum momento o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro foi citado ou defendido naquela ocasião.




