Vídeo de torcida de futebol de 2015 é difundido como se fosse de protesto de PMs na Bahia

Por Marco Faustino

29 de março de 2021, 19h25

Um vídeo de uma multidão caminhando na rua tem sido difundido nas redes sociais (veja aqui) como se fosse de um protesto de policiais militares na Bahia contra o governo do estado após a morte do cabo Wesley Soares Goés no último domingo (28). As imagens, porém, são de uma marcha de torcedores do Corinthians ocorrida em 2015.

As publicações que difundem o conteúdo enganoso acumulavam ao menos 1.500 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta segunda-feira (29) e foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (veja como funciona). O vídeo também vem sendo compartilhado no WhatsApp, mas, devido à natureza do aplicativo, não é possível estimar seu alcance.


Políciais da BAHIA se levantaram contra o governador petista

Posts nas redes sociais têm difundido um vídeo de torcedores do Corinthians filmado em 6 de setembro de 2015 como se fosse uma manifestação de policiais militares na Bahia contra o governo do estado e motivada pela morte de um agente que abriu fogo contra colegas em Salvador na tarde de domingo (28). Por meio de uma busca reversa de imagens, o Aos Fatos encontrou a mesma versão do vídeo publicada há mais de cinco anos, além de um outro registro a partir de um ângulo diferente, no YouTube (veja abaixo).

Naquele dia houve uma partida entre o Corinthians e o Palmeiras pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro. O jogo aconteceu na arena Allianz Parque, e as imagens mostram milhares de torcedores corintianos indo ao estádio sede do Palmeiras.

Ainda segundo as peças de desinformação, a polícia militar da Bahia teria "se levantado" contra o governo do estado. Algumas versões dizem ainda, que a marcha seguia em direção ao governador Rui Costa (PT). A manifestação que ocorreu na manhã desta segunda-feira (29) em Salvador, porém, reuniu um pequeno grupo na região do Farol da Barra para pedir justiça pela morte do policial, como é possível ver em registros da imprensa. Alguns manifestantes escreveram o nome do PM no chão do local e alegaram ter havido uma execução.

O policial foi morto no domingo após atirar contra colegas da corporação. Segundo a Secretaria de Segurança da Bahia, ele teria tido um surto e efetuou os disparos após mais de três horas de negociação. Nesta segunda-feira, o comandante-geral da PM-BA, Paulo Coutinho, confirmou a versão da SSP. "Aparentando um quadro de surto psicótico e, por volta das 14h, começou a atirar com um fuzil, primeiramente para o alto e, no final da tarde, contra a própria tropa da Polícia Militar presente no local, colocando em risco também a vida dos moradores da região", disse.

Informações falsas. Após a morte do policial passaram a ser difundidas peças de desinformação que sugerem que ele teria sido morto sem qualquer negociação quando protestava contra ordens de restrição implementadas pelo governo local para tentar conter a pandemia de Covid-19. Em checagem anterior, o Aos Fatos verificou publicações que tentam associar a morte do policial militar a um suposto "ato heróico" contra as medidas, o que não é verdade.

Referências:

1. Jornal Correio
2. YouTube (Fontes 1 e 2)
3. Globo Esporte
4. G1
5. Secretaria de Segurança Pública da Bahia
6. Aos Fatos

Usamos cookies e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade. Ao continuar navegando, você concordará com estas condições.