Vídeo de saque a depósito de gás foi gravado no Chile, não na Argentina

Por Marco Faustino

4 de novembro de 2021, 12h09

Um vídeo que mostra pessoas saqueando botijões de gás não foi gravado na Argentina, como afirmam publicações nas redes sociais (veja aqui). As imagens foram registradas em Santiago, capital do Chile, em outubro de 2019, em meio a uma onda de protestos contra o governo do presidente Sebastian Piñera.

O vídeo com o falso contexto acumulava centenas de compartilhamentos em publicações no Facebook nesta quinta-feira (4) e também circula no YouTube e no WhatsApp (Fale com Fátima).


Selo falso

Saque de gás na Argentina! Viva o socialismo e comunismo

Foi gravado no Chile, não na Argentina, um vídeo que está sendo compartilhado nas redes sociais e que mostra pessoas saqueando botijões de gás de um depósito. As imagens foram registradas em Santiago, capital chilena, no fim de outubro de 2019, em meio a uma onda de protestos contra o governo local.

Por meio de busca reversa por imagens, Aos Fatos identificou que o vídeo foi publicado originalmente pela agência RT (Russia Today) em suas redes sociais (confira aqui, aqui e aqui), em 21 de outubro de 2019. Na descrição, é informado o local dos protestos e saques.

Outros elementos presentes na imagem confirmam que a gravação foi feita no Chile. Um dos veículos que aparecem na filmagem tem um modelo de placa (veja abaixo) que foi adotado no país até 2007, com duas letras seguidas de quatro números — padrão diferente do da Argentina. Desde 2016, o país segue o "padrão Mercosul” de placas de automóveis, com quatro letras e três números no formato “AB 123 CD”.


Modelo. Comparativo mostra o modelo de placa de um carro que aparece durante o vídeo do saque de botijões de gás em Santiago, no Chile (imagem superior), que possui elementos idênticos a de placas adotadas no país até 2007 (imagem inferior).

O ato de vandalismo aconteceu na esteira de uma onda de manifestações que ocorreram no Chile em outubro de 2019, deflagrada por uma mobilização estudantil contra o aumento das passagens de metrô em Santiago. Os protestos se espalharam para outras cidades chilenas e abarcaram outras pautas, como mudanças no sistema de pensões e uma nova constituição.

Referências:

1. Facebook
2. Twitter
3. YouTube
4. Wikipedia
5. G1
6. BBCL
7. BBC


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