Vídeo de caminhões descartando água é de 2017 e sem relação com a transposição do São Francisco

Por Luiz Fernando Menezes

10 de julho de 2020, 15h35


Não é recente nem tem relação com a transposição do rio São Francisco o vídeo que mostra homens descartando água de caminhões-pipa em uma região rural. Diferentemente do que sugerem publicações nas redes sociais (veja aqui), as imagens foram gravadas em junho de 2017 nas proximidades do canal do Sertão, em Alagoas, que não integra o projeto.

O vídeo fora de contexto circula principalmente no Facebook, onde acumulava mais de 30 mil compartilhamentos até o começo da tarde desta sexta-feira (10). Todas as publicações foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação (entenda como funciona).


FALSO

Denúncia :Os carros pipas pegando água do Canal recém construído da Transposição do São Francisco, e jogando fora. Que gente é essa ?

Um vídeo que mostra homens descartando água de caminhões-pipa circula em publicações nas redes sociais como se mostrasse uma tentativa de sabotar o governo Bolsonaro. Segundo as postagens, o líquido descartado teria sido extraído do canal da transposição do rio São Francisco recém-inaugurado pelo presidente no Ceará. Isso, porém, não é verdade, pois o vídeo foi gravado em 2017 em Alagoas e a água descartada era de um canal que não integra a transposição.

Aos Fatos identificou que a gravação mostra pipeiros que foram flagrados em junho de 2017 na zona rural de Pariconha (AL) e que iriam responder a um processo administrativo, segundo noticiou na época o site Correio Notícia.

A água descartada pelos homens do vídeo é do Canal do Sertão, considerada a segunda maior obra hídrica do país, atrás apenas da transposição do Rio São Francisco. O projeto, que pretende atender 42 municípios do estado de Alagoas, teve início em 1992 e não foi concluído até hoje.

Desinformação. O presidente Jair Bolsonaro inaugurou um trecho do eixo norte do PISF localizado no estado do Ceará no dia 26 de junho. Desde aquele momento, passaram a circular peças de desinformação para inflar a participação do governo atual no projeto ou comparar sua atuação com as gestões petistas.

A Agência Lupa e o Projeto Comprova também desmentiram a peça de desinformação.

Referências:

1. Correio Notícia
2. CBHSF
3. MDR
4. Folha de S.Paulo
5. Aos Fatos (Fontes 1 e 2)