Vídeo compartilhado por Bolsonaro engana ao afirmar que Ceasa em MG está desabastecida

Por Amanda Ribeiro

1 de abril de 2020, 15h42


Um vídeo compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro em suas redes sociais na manhã desta quarta-feira (1º) engana ao afirmar que a Ceasa de Contagem (MG) esteja desabastecida por causa das medidas de isolamento implementadas para combater a Covid-19. As imagens, que já foram apagadas pelo presidente, mostram um homem não identificado em frente ao mercado vazio reclamando dos efeitos da quarentena. O local, no entanto, está funcionando normalmente, segundo nota publicada no site da Ceasa Minas.

Segundo a Acceasa-MG (Associação Comercial da Ceasa de Minas Gerais) o vídeo enganoso foi gravado na terça-feira (31) em um horário em que a Ceasa estava fechada para limpeza.

Essa peça de desinformação vem sendo compartilhada para alimentar a narrativa, adotada pelo presidente, de que as medidas de isolamento recomendadas pelo Ministério da Saúde para combater a Covid-19 são muito rígidas e ignoram seu impacto econômico. Em pronunciamento em rede nacional de rádio e TV no dia 24 de março, Bolsonaro pediu a retomada das atividades no comércio e a reabertura de escolas: "O sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade".

Visualizado 200 mil vezes no Twitter e compartilhado 23 mil vezes no Facebook antes de ser apagado as contas oficiais do presidente, o vídeo também foi replicado por perfis pessoais. Todas as postagens foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento do Facebook (saiba como funciona).


FALSO

Diferentemente do que afirma um vídeo compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais, a Ceasa de Contagem (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte, não passa por problemas de desabastecimento decorrentes das medidas de isolamento social de combate ao novo coronavírus. Na verdade, o estabelecimento funciona normalmente nesta quarta-feira (1º), segundo comunicado da Ceasa Minas, que também desmentiu que seus entrepostos estejam desabastecidos.

Na gravação publicada por Bolsonaro, um homem não identificado anda pelo mercado vazio e diz que “isso aqui se chama desabastecimento. Para você que falou, depois do discurso do presidente, que economia não era importante, o importante são as vidas, dá uma olhada aí”. A Acceasa-MG (Associação de Comerciantes da Ceasa de Minas Gerais) afirmou que as imagens difundidas pelo presidente foram gravadas na terça-feira (31) em um horário em que o estabelecimento estava fechado para desinfecção.

O diretor da instituição em Contagem, Noé Xavier da Silva, também desmentiu em vídeo que a central de abastecimento estivesse vazia. "Ontem, no dia 31 de março, enquanto a Ceasa realizava a limpeza do mercado livre do produtor, circulou pela internet um vídeo indicando desabastecimento em nosso entreposto. Este fato não é verdade. O mercado segue firme e abastecido para garantir a alimentação para mais de 400 municípios de Minas Gerais”, disse.

Restrições. Desde 23 de março, a Ceasa de Contagem restringiu o funcionamento e o acesso do público como forma de seguir orientações do Ministério da Saúde e evitar o aumento do número de infectados pela Covid-19.

Em comunicado postado no site da Ceasa Minas, foi anunciada a proibição da entrada de menores de 14 e maiores de 60 anos no estabelecimento e a liberação de acesso apenas a “produtores rurais, os consumidores dos entes ligados ao abastecimento, os movimentadores de mercadoria/carregadores, os motoristas de veículos utilitários e caminhões, os sócios e empregados das empresas concessionárias, bem como os empregados públicos da CeasaMinas”.

Também foram estipuladas regras como o funcionamento de lanchonetes e restaurantes apenas mediante delivery para evitar filas e aglomerações e a suspensão da comercialização de produtos que não sejam hortifrutigranjeiros no Mercado Livre do Produtor.

A narrativa do desabastecimento. Vídeos de supostos saques em supermercados e de prateleiras vazias têm sido compartilhados nas redes ao longo das últimas semanas para alimentar a narrativa de que o isolamento social recomendado para mitigar os impactos da Covid-19 esteja levando ao desabastecimento. Na última sexta-feira (27), por exemplo, uma gravação que mostra o saque a um estabelecimento em Honduras ocorrido em 2017 passou a ser replicado com legenda enganosa, que apontava que o crime havia sido praticado no Brasil. Antes disso, na quarta-feira (25), imagens de 2013 de um supermercado saqueado em São Vicente também circularam nas redes.

As postagens demonstram apoio ao posicionamento adotado por Bolsonaro nas últimas semanas de questionar as recomendações das autoridades sanitárias. Em pronunciamento no dia 24 de março, o presidente pediu a volta das atividades econômicas e o retorno das crianças às aulas, apesar do aumento exponencial de casos de Covid-19 no país: "O sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade".

Referências:

1. Folha de S.Paulo
2. Ceasa Minas (Fontes 1 e 2)
3. Aos Fatos (Fontes 1 e 2)


De acordo com nossos esforços para alcançar mais pessoas com informação verificada, Aos Fatos libera esta reportagem para livre republicação com atribuição de crédito e link para este site.

Usamos cookies e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade. Ao continuar navegando, você concordará com estas condições.