Vídeo não mostra ataque a cargueiro iraniano, mas colisão de petroleiros em 2025

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Não é verdade que um vídeo mostra um navio iraniano sendo atingido pela Marinha dos Estados Unidos no domingo (19) após o país persa recusar um armistício. A gravação compartilhada pelas peças enganosas é de 2025 e registra a colisão de dois navios petroleiros próximo ao ancoradouro de Khorfakkan, no Golfo de Omã.

O conteúdo falso acumulava 300 mil visualizações no X, 7.500 curtidas no Instagram e 35 mil visualizações no TikTok até a tarde desta segunda-feira (20).

Domingo (19) O presidente Trump acaba de fazer com que a Marinha dos EUA ABRA UM GRANDE BURACO na sala de máquinas de um navio de carga iraniano de 900 pés, depois que se recusaram a obedecer às ordens de parar.

Cena com uma grande coluna de fumaça escura subindo para o céu, com chamas alaranjadas visíveis na base, similar a um incêndio em uma embarcação. O ambiente ao redor é pouco nítido, com tons acinzentados e baixa definição. Na parte inferior da imagem há um texto que diz: ‘URGENTE! Um navio de carga iraniano é atingido após se recusarem a obedecer às ordens de parar pela Marinha americana’.

Publicações nas redes enganam ao afirmar que um vídeo mostra um navio de carga iraniano sendo atingido pela Marinha dos Estados Unidos após o país persa recusar o acordo de cessar-fogo proposto pelo presidente americano Donald Trump.

A gravação compartilhada pelas peças enganosas é de junho de 2025 e mostra uma colisão entre dois petroleiros, um com a bandeira de Antígua e Barbuda e outro com a bandeira da Libéria. O acidente ocorreu próximo à área de fundeio de Khorfakkan, no Golfo de Omã, e resultou em um incêndio na embarcação antiguana.

É fato, porém, que um destróier da Marinha americana atacou um navio de carga iraniano no Golfo de Omã no domingo (19). Em sua rede social, Trump afirmou que a embarcação “tentou ultrapassar nosso bloqueio naval, e isso não terminou bem para eles”.

O Irã classificou a ação como uma violação do acordo de trégua que está em vigor desde 7 de abril e declarou que pretende responder em breve ao que chamou de “ato de pirataria armada”.

Segundo Trump, negociadores americanos devem viajar ao Paquistão nesta segunda-feira (20) para retomar as conversas para encerrar o conflito. Do lado do Irã, a mídia estatal Irna citou autoridades não identificadas para afirmar que Teerã, neste momento, não pretende participar das negociações.

A agência também acrescentou que o bloqueio imposto pelos Estados Unidos, as exigências consideradas excessivas e o tom de ameaça adotado pelo governo americano têm dificultado o avanço das negociações.

O conflito teve início em 28 de fevereiro, com ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel em território iraniano, e se desdobrou em uma série de ofensivas pelo Oriente Médio ao longo das últimas semanas.

Um cessar-fogo de duas semanas foi anunciado na noite de 7 de abril e tem previsão de término na próxima quarta-feira (22). O presidente americano afirmou ser “altamente improvável” que a trégua seja estendida caso um acordo não seja alcançado e que, neste cenário, os Estados Unidos estariam preparados para destruir o Irã.

O caminho da apuração

Por meio de busca reversa, Aos Fatos encontrou a gravação original e constatou que ela não tem relação com o conflito entre Estados Unidos e Irã. Consultamos informações publicadas pela imprensa na época para contextualizar o caso.

Também recorremos a reportagens recentes para explicar os últimos acontecimentos envolvendo o ataque americano a um navio iraniano, no domingo (19), e o andamento das negociações para o fim do conflito no Oriente Médio.

Referências

  1. Splash247
  2. g1 (1 e 2)
  3. Truth Social (@realdonaldtrump) (1 e 2)
  4. CNN Brasil (1 e 2)
  5. BBC

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