Não é verdade que uma foto que circula nas redes comprove que a Usaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) financiou terroristas. A imagem foi feita em 2013 durante a guerra civil da Síria e mostra integrantes do Estado Islâmico que haviam saqueado um depósito com armas e suprimentos.
Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam 4.000 curtidas no Instagram e 2.000 compartilhamentos no Facebook. As peças circulam também no WhatsApp, onde não é possível medir o alcance.
Todas as formas de terrorismo, todas as revoluções coloridas, todo o poder dos narcos e todas as eleições bizarras que ocorreram com “gerentes gloBaalistas” ganhando tiveram a mão da USAID, de aFundações, de ONGs e de desorganismos da ONU nas últimas décadas.

Publicações enganam ao afirmar que a foto em que três homens armados posam em uma tenda com logotipo da Usaid comprova que a agência financiou terroristas. Na verdade, a imagem mostra integrantes do Estado Islâmico que invadiram em 2013 um depósito de ajuda humanitária do ELS (Exército Livre Sírio), grupo de oposição ao ditador Bashar Al-Assad, durante a guerra civil no país.
Embora fosse uma organização armada insurgente, o ELS não foi classificado como terrorista pelos Estados Unidos nem pela ONU (Organização das Nações Unidas). Outros países, como a própria Síria e o Irã, porém, enquadram esta organização e demais grupos oposicionistas armados sírios como extremistas.
A imagem foi publicada originalmente em setembro de 2013 pelo portal americano The Blaze, que levantou dúvidas sobre o possível desvio de equipamentos e suprimentos enviados pelos Estados Unidos aos rebeldes do ELS.
Na época, um funcionário do governo americano informou que não houve desvio intencional, mas uma invasão de combatentes do Estado Islâmico a um depósito de suprimentos em Azaz, cidade próxima à fronteira com a Turquia. A tenda da Usaid foi um dos locais saqueados.
A foto voltou a circular agora após ser compartilhada pelo trilionário Elon Musk em seu perfil X, na terça-feira (30), acompanhada da legenda: "Foi assim que a Usaid gastou o dinheiro dos seus impostos".
Musk liderou os esforços do governo Trump para desmontar a agência quando esteve à frente do Doge (Departamento de Eficiência Governamental) entre janeiro e maio de 2025. As medidas resultaram na suspensão da maior parte de seus programas e em uma ampla redução de sua estrutura.
No Congresso americano, comissões lideradas pelo partido Republicano vêm realizando audiências e investigações sobre contratos, programas e gastos da Usaid. Já políticos democratas questionam a legalidade de parte das medidas adotadas pelo governo Trump contra a instituição.
As apurações seguem em diferentes estágios e, até o momento, não comprovaram irregularidades sistêmicas cometidas pela agência. Paralelamente, o OID (Escritório do Inspetor-Geral) da agência mantém investigações independentes sobre casos de fraude, corrupção e má gestão envolvendo programas e contratos específicos. As apurações ainda estão em andamento.
A Usaid foi criada em 1961 e é a agência do governo americano responsável por administrar programas de assistência internacional. Na prática, o órgão financia e coordena projetos desde o envio de suprimentos médicos e alimentos em zonas de guerra ou desastres naturais até o apoio técnico para o fortalecimento de democracias.
Ajuda aos rebeldes. Em 2013, os Estados Unidos anunciaram US$ 100 milhões em ajuda humanitária para a Síria e se comprometeram a fornecer outros US$ 250 milhões em apoio não letal a grupos da oposição síria, entre eles o ELS.
O auxílio incluía alimentos, medicamentos, vacinas, água, equipamentos de comunicação, computadores e geradores de energia. Parte desse material era armazenada em depósitos como o de Azaz.
Ainda em 2013, porém, grupos extremistas como o Estado Islâmico e a Al-Qaeda passaram a atacar instalações utilizadas pelos rebeldes sírios e a capturar suprimentos americanos. Diante desse cenário, Washington anunciou, no fim daquele ano, a suspensão do apoio aos rebeldes sírios.
Esta peça de desinformação também foi checada pelo Estadão Verifica.
O caminho da apuração
Por meio de busca reversa, Aos Fatos localizou a publicação da foto no portal americano The Blaze em 2013 e verificou o contexto em que a imagem foi divulgada.
Em seguida, a reportagem consultou informações sobre o Exército Livre da Síria e a assistência enviada pelos Estados Unidos ao grupo.
Por fim, Aos Fatos complementou a checagem com um histórico de ataques feitos por Elon Musk à Usaid.





