Não há registro de que últimas palavras de Steve Jobs foram sobre riqueza e morte

Por Priscila Pacheco

7 de julho de 2022, 18h26

Não é verdade que o cofundador da Apple Steve Jobs (1955–2011) disse em seus últimos momentos de vida que a riqueza é insignificante diante da morte, conforme é alegado em postagens nas redes sociais (veja aqui). O Aos Fatos e outras agências de checagem não encontraram registro da afirmação, e a irmã de Jobs, Mona Simpson, afirmou que suas últimas palavras antes de morrer foram interjeições monossilábicas. Também não há referência ao suposto episódio na principal biografia sobre a vida do empresário, escrita a partir de horas de entrevistas com ele, inclusive durante seu último ano de vida.

A peça de desinformação disseminada em vídeo conta com 66.725 interações no TikTok, 12.800 compartilhamentos no Facebook e dezenas de retuites no Twitter nesta quinta-feira (7).


Selo falso

Eu vou citar aqui as últimas palavras de Steve Jobs. Olha o que ele diz praticamente no leito de morte. "Eu alcancei o pináculo do sucesso no mundo dos negócios. Nos olhos dos outros, minha vida é uma personificação do sucesso. Porém, além do trabalho, tenho pouca alegria. (...) Agora eu sei, quando nós acumulamos riqueza suficiente para a nossa vida, devemos buscar outras questões que não estão relacionadas com a riqueza”.

Vídeo com texto falso atribuído a Steve Jobs é compartilhado nas redes sociais

Um texto narrado em vídeo pelo apresentador Tony Trindade não corresponde às últimas palavras do cofundador da Apple Steve Jobs, como ele afirma. O empresário morreu em 5 de outubro de 2011 em decorrência de um câncer no pâncreas. No dia 30 do mesmo mês, a escritora Mona Simpson publicou no jornal The New York Times um artigo de opinião sobre o irmão. No texto, Simpson cita que as últimas palavras de Jobs foram interjeições monossilábicas: “Oh wow! Oh wow! Oh wow!”

Em artigo publicado na revista Time na época, o jornalista e professor de história Walter Isaacson, autor da principal biografia sobre a vida de Jobs, não fez nenhuma referência ao texto que tem sido divulgado como verdadeiro. Isaacson relata que, semanas antes da morte de Jobs, ele o visitou e conversaram sobre a infância do empresário. Jobs explicou o motivo pelo qual desejava que a biografia fosse publicada: “Eu queria que meus filhos me conhecessem. Eu nem sempre estava lá para eles.”

O Aos Fatos não localizou no livro de Isaacson nenhuma referência ao texto sobre a insignificância da riqueza diante da morte. No capítulo 20, o autor descreve que Jobs aprendeu, quando era budista, que a posse de bens materiais costumava atrapalhar a vida, em vez de enriquecê-la. Obituários sobre Jobs publicados na imprensa norte-americana não citam a suposta declaração disseminada nas redes sociais.

Essa desinformação foi checada pelo site americano Snopes, pelo Maldita, da Espanha, e pelo Polígrafo, de Portugal. No Brasil, o Estadão Verifica checou esse texto viral em março. O Aos Fatos entrou em contato com o jornalista Tony Trindade para perguntar sobre a origem do texto que ele narra no vídeo, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.

Referências:

1. The New York Times (Fontes 1, 2 e 3)
2. G1
3. CNN
4. CBC
5. CBS
6. Time


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