TSE não permitiu que todo preso vote nas eleições de 2026

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São enganosas as publicações que afirmam que, após o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) derrubar uma decisão do Congresso, presidiários poderão votar nas eleições de 2026. Na verdade, a Justiça Eleitoral adiou para 2028 um trecho de uma lei aprovada em dezembro que impedia o voto por todo tipo de detento. No pleito deste ano, só presos provisórios com situação regular vão poder votar.

Posts com a alegação enganosa circulavam no Facebook e no Instagram até a tarde desta quarta-feira (26). O conteúdo também está presente no WhatsApp, onde não é possível estimar com precisão o alcance.

TSE derruba decisão do congresso que proibia preso de votar, e agora presidiários poderão votar normalmente nesta eleição

Imagem exibe, em sua metade superior, um grupo de pessoas — predominantemente homens com tons de pele variados e cabelos escuros — aglomerados em um espaço escuro atrás de grades metálicas claras e com pintura desgastada, havendo um cadeado dourado visível à esquerda. Diversas mãos e braços atravessam os vãos das grades realizando um gesto no qual o polegar e o dedo indicador formam a letra 'L'. A metade inferior da composição apresenta um fundo preto sólido contendo um retângulo vermelho com a palavra 'NOTÍCIA' em letras maiúsculas brancas, logo acima do seguinte texto, também em letras maiúsculas brancas: 'TSE DERRUBA DECISÃO DO CONGRESSO QUE PROIBIA PRESO DE VOTAR,E AGORA PRESÍDIÁRIOS PODERÃO VOTAR NORMALMENTE NESTA ELEIÇÃO'. Na base da imagem, observa-se uma área retangular obscurecida por um efeito de borrão quadriculado.

Publicações têm distorcido uma decisão do TSE para sugerir que o tribunal permitiu que presidiários votem nestas eleições. A corte, na realidade, apenas adiou para o próximo pleito uma alteração na lei que proíbe o voto por todos os presos, independente da situação.

Nestas eleições, só presidiários provisórios com situação regular na Justiça Eleitoral podem votar. Já os presos condenados não têm esse direito, como prevê a Constituição Federal.

Em dezembro de 2025, o Congresso aprovou o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado (lei 15.358/2026), que nasceu de uma proposta do governo Lula. O texto foi sancionado em março de 2026 e previa, entre outras medidas, uma mudança na legislação eleitoral: todo preso, independente de sua situação, não poderia votar.

Até então, apenas presos provisórios — ou seja, sem condenação definitiva — permaneciam com direito ao voto.

Em abril, no entanto, o TSE entendeu que a mudança não poderia valer para o pleito deste ano por violar o princípio da anualidade eleitoral, que diz que toda mudança deve ser aprovada um ano antes da eleição. Dessa forma, o pleito de 2026 é o último ano em que os presos provisórios poderão votar.

Diferentemente do que sugerem as publicações, portanto, não são todos os presidiários que vão votar nessa eleição. E isso, inclusive, nunca aconteceu: a própria Constituição de 1988 determina a suspensão dos direitos políticos de quem tiver condenação criminal transitada em julgado.

Tinham direito ao voto — e continuam tendo neste ano — os presos provisórios, ou seja, pessoas detidas enquanto seus processos ainda estão em andamento. Das cerca de 400 mil pessoas nessa situação no Brasil, no entanto, apenas 12.903 (cerca de 3%) estavam em situação regular perante a Justiça Eleitoral em 2022 e, portanto, puderam votar naquela eleição. Não há dados atualizados para a eleição de 2026.

Para se ter uma ideia, o Brasil possuía 156 milhões de eleitores aptos a votar em 2022. Isso significa que 0,0082% do eleitorado naquele ano era composto por presos.

Foto. Além da informação enganosa, as publicações compartilham ainda uma foto falsa, que mostraria dezenas de presidiários “fazendo o L”.

Anomalias presentes na imagem permitem afirmar que ela foi gerada por uma ferramenta de IA: os dedos de algumas mãos têm aspecto derretido ou se fundem com outros elementos da imagem e um dos braços parece ser feito de borracha.

Uma aglomeração de homens de pele morena e clara está confinado atrás de grades metálicas brancas desgastadas e pesadas de um presídio. Muitas mãos estão estendidas através das aberturas das grades, a maioria realizando um gesto com o polegar e o dedo indicador que simula a letra 'L'. Pelo menos dois rostos de homens são visíveis olhando para fora das aberturas em primeiro plano. Sobre as grades, vê-se um cadeado de latão dourado e um frasco de metal à esquerda, e um pano cinza-amarelado à direita. A imagem contém dois círculos vermelhos sobrepostos, destacando mãos específicas fazendo o gesto do 'L', e borrões pixelizados cobrindo áreas nas bordas superior esquerda e inferior.

Essas publicações fazem parte de um argumento desinformativo comum de opositores de Lula que sugerem que o petista teria o apoio das organizações criminosas como também estaria associado a elas. Em 2022, por exemplo, Aos Fatos desmentiu diversas peças desinformativas que tentavam relacionar o petista ao PCC ou ao CV (veja aqui, aqui e aqui).

O caminho da apuração

Aos Fatos procurou a decisão citada nas publicações e analisou seu conteúdo na íntegra. A reportagem também consultou o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado e a legislação que fala sobre o direito de voto de presos.

Por fim, Aos Fatos analisou a imagem que acompanha a alegação enganosa em busca de anomalias de geração artificial.

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