Não é verdade que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) anunciou novas urnas eletrônicas para as eleições de 2026, como afirmam postagens nas redes sociais. Não há qualquer registro de anúncio de uma nova versão dos equipamentos. Além disso, as publicações falsas apresentam como novidade a auditoria do código-fonte e presença de observadores internacionais, que já fazem parte do processo eleitoral há anos.
Postagens com o conteúdo enganoso acumulavam 80 mil visualizações no X, 130 mil visualizações no TikTok e centenas de interações no Instagram e no Facebook até a tarde desta segunda-feira (27).
TSE ANUNCIA NOVAS URNAS, AUDITORIA DO CÓDIGO-FONTE E PRESENÇA INTERNACIONAL PARA AS ELEIÇÕES DE 2026

Publicações nas redes enganam ao afirmar que o TSE anunciou novas urnas eletrônicas para as eleições deste ano. Não houve qualquer anúncio nesse sentido. Os equipamentos que devem ser utilizados são mesmos empregados em pleitos anteriores.
O modelo mais recente de urna eletrônica é a UE2022, apresentada pelo tribunal em 2022 e utilizada pela primeira vez nas eleições daquele ano.
Nas eleições de 2026, a Justiça Eleitoral utilizará diferentes modelos de urnas eletrônicas, incluindo a UE2022 e equipamentos de gerações anteriores que continuam em funcionamento. O tribunal não anunciou novo modelo para substituir os equipamentos atuais.
Os posts citam ainda como novidade deste pleito a realização de auditoria do código-fonte e a presença de observadores internacionais. No entanto, os procedimentos já fazem parte do calendário eleitoral.
A inspeção do código-fonte está prevista na Lei das Eleições e ocorre desde 2002. Atualmente, o TSE disponibiliza os sistemas para análise das entidades fiscalizadoras 365 dias antes de cada eleição, conforme o calendário eleitoral.
Desde outubro de 2025, portanto, representantes de partidos políticos, Ministério Público, Polícia Federal, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), universidades, entidades fiscalizadoras e outras instituições credenciadas podem analisar os programas usados no pleito deste ano.
A inspeção permanece aberta até a cerimônia de lacração dos sistemas, realizada semanas antes do pleito. Na ocasião, os programas recebem assinaturas digitais e são gerados os hashes — resumos digitais que permitem verificar se os códigos utilizados nas urnas são exatamente os mesmos que foram auditados.
Além da inspeção do código-fonte, o processo eleitoral conta com outros mecanismos de fiscalização, como os boletins de urna, o RDV (Registro Digital do Voto) e os testes de integridade no dia da eleição.
Observadores. A presença de missões internacionais também não representa uma novidade para as eleições brasileiras. Desde 2022, o TSE credencia oficialmente as MOEs (missões internacionais de observação eleitoral), compostas por entidades especializadas que acompanham diferentes etapas do processo eleitoral.
Antes da criação das MOEs, a Justiça Eleitoral já recebia delegações estrangeiras e mantinha acordos de cooperação com organismos internacionais. No entanto, somente em 2022 o TSE editou uma resolução estabelecendo regras formais para o credenciamento e o funcionamento das missões nacionais e internacionais de observação eleitoral.
Desde então, elas passaram a integrar oficialmente o calendário eleitoral brasileiro. As missões acompanham atividades como a preparação das eleições, a votação, a apuração e a totalização dos votos. Elas não participam da administração do pleito nem substituem os mecanismos de fiscalização previstos na legislação brasileira.
Nas eleições presidenciais de 2022, o Brasil recebeu mais de 150 observadores internacionais vinculados a diferentes organismos e instituições. Entre eles estavam representantes da OEA (Organização dos Estados Americanos) e do Parlamento do Mercosul.
O caminho da apuração
Aos Fatos consultou os canais oficiais do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para verificar o calendário eleitoral, a legislação e as normas sobre inspeção dos sistemas e missões de observação eleitoral, bem como se houve anúncio de um novo modelo das urnas eletrônicas.
A reportagem também entrou em contato com o tribunal, que não respondeu até a publicação da checagem.





