O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não convidou diplomatas americanos para expor fragilidades das urnas eletrônicas, como alegam posts. A corte chamou representantes de todas as embaixadas no Brasil para um evento sobre o funcionamento das máquinas de votação. Os funcionários do Departamento de Estado dos EUA que tiveram visto negado recentemente pelo Itamaraty não foram convidados.
Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 2.500 interações no Instagram e Facebook nesta quarta-feira (29) e também são compartilhadas no WhatsApp, onde não é possível medir o alcance.
Lula APAVORADO após TSE chamar porta-voz de Trump para EXPOR URNAS!!!

Publicações nas redes enganam ao sugerir que o TSE, sob o comando do ministro Kassio Nunes Marques, convidou diplomatas dos EUA para expor fragilidades e problemas das urnas eletrônicas. As postagens alegam que Lula teria ficado “apavorado” com o convite a um “porta-voz de Trump”.
A reunião marcada para o dia 17 de agosto, como citado no trecho de reportagem da CNN usado nos posts desinformativos, tem o objetivo de explicar o funcionamento da urna, não de expor supostas fragilidades.
Foram chamadas para o evento todas as embaixadas no Brasil, não apenas a dos Estados Unidos. Segundo o TSE, além dos diplomatas dos países representados aqui, foram convidadas organizações que atuam como observadores internacionais das eleições.
As peças de desinformação tentam ainda fazer crer que Nunes Marques, que foi indicado por Bolsonaro, estaria com Trump contra as urnas brasileiras. Para refutar essa alegação, o TSE afirmou ao Aos Fatos que o ministro já defendeu a segurança dos equipamentos em apresentação no dia 16 de junho. Nela, ele disse inclusive que a tecnologia pode impedir “até mínimas alterações maliciosas no código das urnas”.
Além disso, desde que tomou posse como presidente do TSE, em 12 de maio deste ano, o ministro tem dito que a urna eletrônica é segura, eficiente e transparente, e que o sistema brasileiro é referência mundial.
Ofensiva. Esta peça de desinformação surfa na mais recente onda de ataques às urnas, que começou com um discurso de Donald Trump no dia 16 de julho. Nele, o americano acusou, sem provas, que as eleições de 2020 nos EUA teriam sido fraudadas por culpa, em parte, das urnas eletrônicas — que não são usadas em todos os estados.
Na esteira de Trump, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levantou dúvidas sobre as urnas no dia 21 de julho. Ele disse que o governo americano apontou “a possibilidade de vulnerabilidades do sistema” e reviveu uma desinformação antiga, de que a empresa venezuelana Smartmatic teria desenvolvido a urna brasileira.
Em resposta a Flávio, o TSE voltou a negar que a empresa forneceu urnas eletrônicas para o Brasil. O tribunal disse ainda que as urnas eletrônicas são produzidas por empresas selecionadas por licitações públicas, sob coordenação direta de servidores da corte eleitoral.
Vistos. Na sexta-feira (24), o jornal americano Washington Post publicou uma reportagem sobre uma delegação americana que estaria planejando vir para o Brasil para pôr em dúvida a integridade das eleições. Um dia depois, o Itamaraty negou os pedidos de visto de dois funcionários citados no texto: Riley M. Barnes e Samuel Samson.
Na mesma data, o TSE disse que foi procurado pela embaixada dos EUA para tratar do encontro, mas não informou o assunto a ser discutido.
Algumas versões da peça desinformativa tentam fazer crer que Nunes Marques teria convidado os dois diplomatas que tiveram os vistos negados pelo Itamaraty. Isso, no entanto, não é verdade.
O caminho da apuração
Aos Fatos procurou informações na imprensa, sobre a negativa do visto para os diplomatas americanos e sobre o convite feito pelo TSE às embaixadas. A reportagem também entrou em contato com o tribunal, que enviou uma nota explicando quem foi convidado para o evento e qual seria o objetivo da reunião.





