Trump não determinou bloqueio do espaço aéreo americano para voos brasileiros

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Não é verdade que o presidente americano Donald Trump anunciou o fechamento do espaço aéreo americano para aeronaves de companhias aéreas brasileiras, como alegam posts nas redes. As publicações descontextualizam um trecho de um programa da CNN Brasil e omitem que a informação veiculada na ocasião tratava das expectativas de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Publicações nas redes com o conteúdo enganoso acumulavam 90 mil visualizações no YouTube, 1.700 curtidas no Instagram e 1.500 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta terça-feira (29).

Urgente! Trump agora proíbe voos brasileiros em solo americano.

Print de um vídeo publicado nas redes mostra no topo da imagem em amarelo a palavra ‘URGENTE’ e uma tarja inferior em preto com letras brancas e vermelhas que afirma: ‘TRUMP AGORA PROÍBE VOOS BRASILEIROS EM SOLO AMERICANO’. No centro da imagem, aparecem cinco comentaristas e jornalistas em uma divisão de tela comum a programas jornalísticos, com o apresentador à esquerda.

Publicações nas redes enganam ao descontextualizar o trecho de um programa da CNN Brasil para afirmar que Donald Trump teria anunciado a proibição de voos de companhias aéreas brasileiras no espaço aéreo americano. No vídeo original, a jornalista explicava que esta era uma expectativa de aliados de Jair Bolsonaro.

No programa Arena CNN, que foi ao ar no dia 18 de julho, a jornalista Edilene Lopes comentava uma apuração feita junto a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro de que eles esperavam novas sanções ao Brasil. Entre as medidas, estaria uma restrição de acesso ao espaço aéreo americano para aeronaves brasileiras (veja abaixo). Não houve, no entanto, nenhuma decisão do presidente americano sobre o tema.

Usando dados disponíveis no Flight Radar, uma plataforma online que permite rastrear voos em tempo real, a reportagem constatou que aeronaves de companhias aéreas brasileiras continuam voando do Brasil com destino aos EUA normalmente (veja aqui e abaixo).

Print de uma tela da plataforma Flight Radar, que permite o rastreio de voos em tempo real. A imagem mostra um voo que saiu do aeroporto de Campinas (SP) com destino a Orlando, nos Estados Unidos.
Dados do Flight Radar mostram que aeronaves brasileiras com destino aos Estados Unidos continuam circulando normalmente.

Aos Fatos também não encontrou notícias na imprensa brasileira ou avisos publicados pela Anac ou pela Agência Federal de Aviação americana que mostrem tal decisão.

Até o momento, o Departamento de Estado dos EUA não publicou nenhum novo documento contra o país. A última notificação foi sobre a suspensão do visto americano de autoridades do judiciário brasileiro e seus familiares.

O Aos Fatos entrou em contato com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para questionar se houve algum comunicado dos Estados Unidos sobre uma possível restrição de aeronaves brasileiras circularem em espaço aéreo americano, mas não obteve retorno até o momento.

Uma sanção como essa somente seria possível caso Donald Trump assine um decreto emergencial — como fez em abril — ou aprove uma sanção diplomática contra o Brasil. Trump tem buscado bases legais para aplicar sanções ao país.

Desde o anúncio do tarifaço de Donald Trump contra produtos brasileiros importados pelos EUA, justificado pelo processo por tentativa de golpe de Estado do qual Jair Bolsonaro é réu, uma série desinformações sobre o tema já foram desmentidas pelo Aos Fatos (veja aqui, aqui e aqui).

O Aos Fatos também explicou diversas nuances que envolvem a trama da família Bolsonaro contra a economia brasileira, patrocinadas por Trump (veja aqui, aqui e aqui).

Essa peça de desinformação também foi verificada pelo Boatos.org.

O caminho da apuração

Aos Fatos buscou na imprensa e nos canais oficiais do governo dos Estados Unidos notificações que confirmassem uma possível sanção que promovesse o bloqueio do espaço aéreo americano para aeronaves de companhias aéreas brasileiras, mas não encontrou nenhum registro. Dados do Flight Radar mostram que aeronaves brasileiras têm feito voos normalmente para os EUA.

A reportagem acionou a Anac e o Itamaraty para saber se há informações sobre tal sanção, mas não obteve retorno até o momento.

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