É falso que Donald Trump tenha removido as tarifas impostas sobre produtos brasileiros recentemente, como afirmam postagens nas redes sociais. O vídeo usado nas publicações é um trecho do Jornal Nacional de novembro de 2025, quando foi suspensa a tributação de 40%.
Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 10.000 visualizações no TikTok e 1.500 curtidas no Instagram nesta quarta-feira (19).
Donald Trump. Retirou as tarifas de produtos Brasil 17/08/2026

Não é verdade que Donald Trump tenha removido recentemente as tarifas impostas sobre produtos brasileiros. As postagens compartilham um trecho do Jornal Nacional de novembro de 2025, quando o governo norte-americano retirou a tarifa de 40%. Porém, em julho deste ano, novas taxas foram aplicadas.
Aos Fatos fez a busca reversa de imagens e constatou que os posts desinformativos usam trecho de reportagem do telejornal da Globo de 20 de novembro de 2025. Na época, o Donald Trump havia removido as tarifas de 40% impostas sobre alguns itens da pauta de exportações do Brasil, como carne bovina, café e açaí.
Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA derrubou o tarifaço imposto por Trump. Porém, após um período sem taxas, o governo dos EUA voltou a impôr duas novas tributações sobre produtos brasileiros em julho deste ano.
Em 22 de julho, passou a valer uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros sob a justificativa de que o país adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o PIX e a pirataria. Já em 23 de julho, os EUA anunciaram uma sobretaxa de 12,5% por supostas falhas na fiscalização e proibição do trabalho forçado por parte do Brasil.
Postagens desinformativas sobre o tarifaço circulam desde o ano passado. Em julho deste ano, por exemplo, Aos Fatos mostrou que era falso que Lula não havia negociado com EUA para evitar tarifaço.
Histórico. O primeiro tarifaço de Trump entrou em vigor em abril de 2025, quando foram aplicadas taxas recíprocas para a importação de produtos de todos os parceiros comerciais dos EUA. A taxa base foi de 10%, mas índices mais elevados foram impostos à nações específicas. Desde então, as movimentações na taxação de produtos importados têm sido intensas. Entenda em ordem cronológica quais foram as decisões que afetaram o Brasil.
A linha do tempo do tarifaço
Passa a valer uma tarifa de 25% sobre todo aço e alumínio importado para os Estados Unidos sob o argumento de priorizar a indústria norte-americana.
Governo americano amplia a lista de países tarifados, incluindo o Brasil. Naquele momento, o país tinha uma tarifa básica de 10% sobre os produtos. A ação visava proteger a soberania comercial do país.
Com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, as taxas para a importação de alumínio e aço foram elevadas para 50%, afetando significativamente o Brasil.
Trump manda uma carta a Lula para anunciar que aumentaria as tarifas aplicadas ao Brasil para 50%. Na justificativa, o presidente americano diz que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) era uma "vergonha internacional". Lula, então, respondeu que "o Brasil é um país soberano" e que "não aceitará ser tutelado por ninguém".
O USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) anuncia uma investigação sobre "práticas desleais de comércio no Brasil". O órgão citava, por exemplo, o sistema de pagamento brasileiro Pix, o comércio na 25 de Março e a remoção de conteúdos de redes sociais a pedidos da Justiça brasileira como "desleais".
O governo americano divulga uma lista de produtos brasileiros que não teriam a taxa adicional de 40% e, portanto, ficariam apenas com a inicial, de 10%. Entre os 694 itens, estavam, por exemplo, minério de ferro e suco de laranja.
Entram em vigor as tarifas de 50% a produtos brasileiros. O governo brasileiro recorre à OMC (Organização Mundial do Comércio) para avaliar o caso.
Após pressão dos consumidores americanos, Trump retira a tarifa inicial, de 10%, de alguns produtos.
A Suprema Corte dos EUA derruba o tarifaço imposto por Trump, entendendo que o presidente extrapolou sua autoridade ao promover tarifas sem o aval do Congresso.
O USTR conclui a investigação sobre o Brasil e recomenda que os EUA taxem as importações brasileiras em 25%.
Entra em vigor a aplicação de 25% de tarifas aos produtos brasileiros. Alguns produtos como carnes, café e minérios, no entanto, ficaram de fora do tarifaço,
No mesmo dia em que expira a primeira taxa de 10% imposta sobre produtos brasileiros, o governo dos EUA impõe uma sobretaxa de 12,5% por supostas falhas na fiscalização e proibição de trabalho forçado no Brasil.
Ocorre a primeira reunião de "alto nível" entre o Itamaraty, o Ministério do Desenvolvimento e assessores da Presidência e representantes do comércio dos EUA. Os encontros se repetiram em junho e julho.
O USTR conclui a investigação sobre o Brasil e recomenda que os EUA taxem as importações brasileiras em 25%.
Os EUA promovem uma audiência pública com representantes do setor produtivo para debater a tarifa proposta pelo USTR. O senador Flávio Bolsonaro compareceu e pediu que as tarifas fossem postergadas para depois das eleições. O governo brasileiro não enviou nenhum representante para falar na audiência porque entendia que "este espaço, das audiências públicas, não é o adequado para negociação real, e sim, as conversas técnicas e de alto nível que têm havido nas últimas semanas e que estão programadas para os próximos dias". Porém, a embaixada em Washington enviou representantes, na condição de observadores.
Na última reunião antes do prazo estipulado pela investigação, negociadores do governo Lula disseram que os representantes da Casa Branca se mostraram "inflexíveis" e fizeram demandas "inegociáveis". Segundo os ministros, Lula pediu para que o Brasil não deixasse a mesa de negociação.
Governo confirma a aplicação de 25% de tarifas aos produtos brasileiros, que entra em vigor no dia 22 de julho. Alguns produtos, no entanto, ficaram de fora do tarifaço, como carnes, café e minérios.
Integrantes do Itamaraty dizem, à imprensa, que a decisão dos EUA é uma "politização evidente" e acusam o governo americano de justificar as tarifas com dados falsos.
O caminho da apuração
Aos Fatos submeteu o vídeo à busca reversa e concluiu que a reportagem é de novembro de 2025 e foi tirada de contexto.
A reportagem também consultou informações sobre a relação diplomática entre Estados Unidos e Brasil, bem como a cronologia da aplicação de tarifas sobre os produtos brasileiros.





