Trump não disse que Lula tem ‘sangue de lampião a álcool’

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Não é verdade que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o presidente Lula (PT) tem “sangue de lampião a álcool”. Em busca na imprensa, nos canais oficiais do governo americano e nas redes no republicano, Aos Fatos não localizou declarações similares.

As publicações desinformativas acumulavam 20 mil visualizações no X, centenas de curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta segunda-feira (27).

Trump rebate provocações de Lula: ‘Ele tem sangue de lampião a álcool.’

Imagem mostra grupo de homens ao lado de avião em área externa. No centro, aparece Donald Trump, um homem branco vestindo terno escuro e gravata azul, com mãos levantadas em frente ao corpo. À direita, há outros homens também de terno, um deles usando óculos escuros e segurando um microfone direcionado ao homem central, enquanto outro segura um gravador. À esquerda, dois homens de terno e óculos escuros estão posicionados próximos à aeronave. Na parte inferior da imagem, há uma faixa escura com texto em letras brancas que diz ‘Trump rebate provocações de Lula: 'Ele tem sangue de lampião a álcool'’.

Publicações nas redes enganam ao afirmar que Trump teria dito que Lula tem “sangue de lampião a álcool”. Aos Fatos não encontrou registros dessa declaração na imprensa, nas redes ou em canais oficiais do governo dos Estados Unidos.

A última fala de Trump sobre Lula nas redes ocorreu em dezembro de 2025 e não continha nenhum tipo de ofensa. Na ocasião, o americano anunciou ter tido uma “conversa muito produtiva” com o brasileiro sobre questões como crime organizado e tarifas. “Muitas coisas positivas acontecerão por conta dessa nova parceria!”, completou.

As peças desinformativas alegam que Trump teria feito a suposta declaração em resposta a uma fala de Lula de 9 de fevereiro. Durante uma cerimônia no Instituto Butantan, em São Paulo, o presidente brasileiro afirmou, em tom de brincadeira, que se Trump “conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião de um presidente”, não provocaria o Brasil. A referência de Lula foi a Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, cangaceiro que atuou no sertão nordestino nos anos 1920 e 1930.

Na ocasião, o petista participava de um evento para anunciar investimentos em vacinação, infraestrutura e produção de soros no instituto. Ao comentar a relação com os Estados Unidos, o petista disse que não tem interesse em conflitos e que o foco do Brasil é fortalecer sua posição internacional.

Não há registros de que Trump tenha respondido à fala, nem na época nem depois. Pelo contrário: semanas mais tarde, em 27 de fevereiro, o presidente americano declarou que “se dá muito bem” com Lula e que gostaria de recebê-lo em Washington.

Um encontro entre os dois chegou a ser cogitado para março, mas não houve confirmação por parte do governo americano. Integrantes do Executivo brasileiro avaliam que a reunião ainda pode ocorrer até julho, considerando o calendário eleitoral.

O caminho da apuração

Aos Fatos buscou declarações iguais ou semelhantes à peça de desinformação feitas por Trump na imprensa, nos canais oficiais do governo dos Estados Unidos e nas redes sociais do republicano. Complementamos a checagem com informações sobre a relação entre Lula e Trump.

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