Não é verdade que, após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, o presidente americano Donald Trump criou uma conta no Instagram para publicar provas que possam levar também à prisão do presidente Lula (PT). Em busca nas redes e nos canais oficiais do governo americano, Aos Fatos não encontrou nenhum anúncio similar.
As peças enganosas somavam 80 mil curtidas no Instagram e 1.500 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta segunda-feira (19).
Após captura [de Nicolás Maduro], Trump cria Instagram para postar provas que podem levar Lula para a prisão

Posts enganam ao afirmar que Trump teria criado uma conta no Instagram para publicar provas que pudessem levar à prisão de Lula. Em busca na imprensa e no Factbase — repositório que armazena os conteúdos publicados pelo presidente americano —, Aos Fatos não localizou registros de que o republicano tenha criado ou endossado uma conta nas redes para publicar denúncias contra o brasileiro.
A reportagem também não encontrou publicações nos perfis oficiais de Trump que contivessem denúncias de supostos crimes cometidos por Lula.
Ao alegar que Trump estaria tentando incriminar o presidente brasileiro, as peças de desinformação omitem o contexto atual das relações diplomáticas entre os dois países. Em ao menos duas ocasiões no ano passado, em setembro e dezembro, Trump elogiou publicamente o petista.
Em novembro, após reuniões bilaterais e negociações com o governo brasileiro, o republicano retirou as tarifas alfandegárias impostas meses antes a diversos produtos, como café, carne e frutas.
Trump, inclusive, convidou Lula a integrar o Conselho de Paz para Gaza, órgão anuncido pelo governo americano para conduzir a transição política do território palestino. O presidente brasileiro ainda não respondeu se irá aceitar o convite.
Sem citar nominalmente o republicano, Lula condenou a captura de Maduro pelas forças americanas, que aconteceu no início do mês. Em recente artigo publicado no jornal The New York Times, o petista afirmou que os ataques à Venezuela violam o direito internacional e ameaçam a estabilidade global.
O caminho da apuração
Aos Fatos reuniu as publicações e verificou se havia nome de usuário, link, prints ou qualquer identificação da suposta conta no Instagram. Em seguida, a reportagem fez checagens em bases públicas e em registros de publicações atribuídas a Trump para confirmar se houve anúncio, endosso ou menção à criação do perfil.
Examinamos, então, conteúdos publicados nos canais oficiais do presidente americano para buscar referências a supostas denúncias contra autoridades brasileiras.




