É falso que um vídeo tenha flagrado Donald Trump espiando documentos do líder chinês, Xi Jinping em um jantar em Pequim. A transmissão do evento mostra que o presidente americano consulta uma pasta com o símbolo dos EUA. Outros registros da ocasião também deixam claro que Trump levou a mesma pasta para o púlpito onde fez um discurso.
Até esta quarta-feira (20), a publicação enganosa acumulava ao menos 4.000 curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook.
Vídeo de Trump espionando pasta de Xi [Jinping] enquanto líder chinês se ausentava ganha força nas redes

Posts nas redes enganam ao afirmar que o presidente dos EUA, Donald Trump, teria sido flagrado espiado documentos do governo chinês durante um banquete realizado em Pequim na quarta (14). Na gravação completa, é possível perceber que ele consulta documentos dos EUA.
Nas imagens compartilhadas nas redes, Trump parece esperar que Xi Jinping deixe a mesa para olhar os conteúdos de uma pasta, que os posts desinformativos alegam conter documentos chineses.
No momento em que o americano abre essa pasta, no entanto, é possível ver o selo presidencial dos EUA, composto por uma águia e a representação gráfica da bandeira. O selo está presente em objetos oficiais e em salões na Casa Branca (veja abaixo).


Momentos depois, quando se levanta para discursar, Trump cumprimenta Xi Jinping e pega a mesma pasta que havia consultado antes (veja abaixo).
O banquete em Pequim foi parte da programação da viagem de Donald Trump à China, realizada na semana passada. Os objetivos do encontro incluíam fechar acordos comerciais e negociar uma trégua nos conflitos comerciais.
Esta foi a primeira viagem de Trump à China desde 2017. O jantar estava marcado para acontecer em março deste ano, mas foi adiado devido à guerra contra o Irã.
O caminho da apuração
Por meio de busca reversa, Aos Fatos identificou a origem do vídeo viral. Analisando uma versão da gravação com maior resolução, foi possível identificar que o selo presente na pasta consultada por Trump era americano, não chinês. Também assistimos à gravação para verificar outras eventuais interações do presidente dos EUA com os documentos.
Por fim, buscamos notícias publicadas na imprensa sobre o contexto da viagem oficial americana à China.





