Vídeo não mostra Trump espiando documentos chineses durante jantar em Pequim

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É falso que um vídeo tenha flagrado Donald Trump espiando documentos do líder chinês, Xi Jinping em um jantar em Pequim. A transmissão do evento mostra que o presidente americano consulta uma pasta com o símbolo dos EUA. Outros registros da ocasião também deixam claro que Trump levou a mesma pasta para o púlpito onde fez um discurso.

Até esta quarta-feira (20), a publicação enganosa acumulava ao menos 4.000 curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook.

Vídeo de Trump espionando pasta de Xi [Jinping] enquanto líder chinês se ausentava ganha força nas redes

Captura de tela de banquete formal mostra Donald Trump em primeiro plano, sentado em mesa decorada com pratos ornamentados. Ele aparece inclinado para a frente, mexendo em uma pasta sobre a mesa, enquanto um homem de terno ao seu lado olha para a frente. Ao fundo, outros convidados aparecem desfocados no salão. Na parte inferior da imagem, texto diz: ‘Vídeo de Trump espionando pasta de Xin enquanto o líder chinês se ausentava ganha força nas redes’.

Posts nas redes enganam ao afirmar que o presidente dos EUA, Donald Trump, teria sido flagrado espiado documentos do governo chinês durante um banquete realizado em Pequim na quarta (14). Na gravação completa, é possível perceber que ele consulta documentos dos EUA.

Nas imagens compartilhadas nas redes, Trump parece esperar que Xi Jinping deixe a mesa para olhar os conteúdos de uma pasta, que os posts desinformativos alegam conter documentos chineses.

No momento em que o americano abre essa pasta, no entanto, é possível ver o selo presidencial dos EUA, composto por uma águia e a representação gráfica da bandeira. O selo está presente em objetos oficiais e em salões na Casa Branca (veja abaixo).

magem dividida em dois painéis. O painel superior mostra parte de uma mesa de jantar muito formal, onde Donald Trump vestindo terno escuro e camisa branca segura uma pasta preta em pé. Um círculo laranja destaca um pequeno selo dourado na parte de trás da pasta. Este é o Selo Presidencial americano. Uma seta laranja aponta deste círculo para o painel inferior, que mostra uma imagem ampliada e nítida do Selo do Presidente dos Estados Unidos (uma águia com um escudo no peito, segurando um ramo de oliveira e flechas, cercada por estrelas brancas em um fundo escuro).
Detalhe do selo presidencial dos EUA na pasta de Trump durante jantar com Xi Jinping em Pequim (Reprodução/Forbes Breaking News e Acervo da Casa Branca).
Fotografia do interior da Casa Branca mostrando uma porta dupla aberta emoldurada por pilares claros. Acima da entrada, em destaque na parede, está o Selo dos Estados Unidos. Ladeando a porta, encontram-se duas bandeiras em mastros com ponteiras douradas em formato de águia: a bandeira dos EUA à esquerda e a bandeira presidencial azul à direita. Ao lado de cada bandeira, há uma cadeira clássica com estofado vermelho e moldura dourada. Através da porta aberta, é possível ver outra sala iluminada por luz natural, decorada com longas cortinas azuis, um lustre de cristal e uma mesa central com um grande arranjo floral.
Selo presidencial dos EUA aparece em salão oficial da Casa Branca (Reprodução/Associação Histórica da Casa Branca)

Momentos depois, quando se levanta para discursar, Trump cumprimenta Xi Jinping e pega a mesma pasta que havia consultado antes (veja abaixo).

O banquete em Pequim foi parte da programação da viagem de Donald Trump à China, realizada na semana passada. Os objetivos do encontro incluíam fechar acordos comerciais e negociar uma trégua nos conflitos comerciais.

Esta foi a primeira viagem de Trump à China desde 2017. O jantar estava marcado para acontecer em março deste ano, mas foi adiado devido à guerra contra o Irã.

O caminho da apuração

Por meio de busca reversa, Aos Fatos identificou a origem do vídeo viral. Analisando uma versão da gravação com maior resolução, foi possível identificar que o selo presente na pasta consultada por Trump era americano, não chinês. Também assistimos à gravação para verificar outras eventuais interações do presidente dos EUA com os documentos.

Por fim, buscamos notícias publicadas na imprensa sobre o contexto da viagem oficial americana à China.

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