Trump elogiou identificação biométrica, e não urna eletrônica brasileira

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Não é verdade que o presidente americano, Donald Trump, elogiou as urnas eletrônicas brasileiras em um decreto publicado na última terça-feira (25). A ordem executiva citada pelas peças de desinformação faz menção ao Brasil apenas em um trecho que elogia o sistema biométrico de identificação dos eleitores. O documento não faz nenhuma citação ao voto eletrônico.

Posts com a declaração enganosa acumulavam centenas de compartilhamentos no Facebook e no X (ex-Twitter) até a tarde desta quinta-feira (27).

Essa declaração da Casa Branca, reconhecendo as urnas eletrônicas do Brasil, foi pior para a gadaiada que a derrota do Brasil para a Argentina

Imagem do presidente dos EUA, Donald Trump, sentado em um escritório, vestindo um terno azul e gravata azul-clara, enquanto assina um documento. Ao fundo, há uma bandeira dos Estados Unidos e cortinas amarelas. Sobre a imagem, há um texto em português dizendo: ‘Trump muda regra eleitoral por decreto e cita Brasil como bom exemplo’. No canto inferior direito, há o logo do g1.

Publicações têm distorcido uma ordem executiva do presidente americano Donald Trump ao afirmar que a Casa Branca elogiou as urnas eletrônicas brasileiras. Na verdade, o documento citado faz menção a uma especificidade do sistema eleitoral brasileiro — a identificação biométrica —, e não ao método de votação.

Publicada na última terça-feira (25), a ordem executiva cita o Brasil apenas no seguinte trecho:

“Apesar do autogoverno pioneiro, os Estados Unidos agora falham em impor proteções eleitorais básicas e necessárias empregadas por nações modernas e desenvolvidas, bem como por aquelas ainda em desenvolvimento. Índia e Brasil, por exemplo, estão vinculando a identificação do eleitor a um banco de dados biométrico, enquanto os Estados Unidos dependem amplamente da autodeclaração de cidadania.”

No Brasil, a biometria é necessária tanto para garantir que não haja duplicidade no cadastro eleitoral quanto na liberação do voto no dia da eleição.

Ao contrário do que sugerem as peças de desinformação, o documento americano não faz nenhum elogio ou citação ao método eletrônico de votação brasileiro. Logo depois de falar do país, inclusive, a ordem executiva cita “o uso de boletins impressos, contados publicamente por oficiais locais”.

A ordem executiva afirma ainda que são necessários “métodos de votação que produzam um registro em papel verificável pelo eleitor”, o que não ocorre no Brasil.

Caminho da desinformação. A citação ao Brasil foi noticiada pela imprensa e também destacada durante o julgamento da aceitação da denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus na última quarta-feira (26).

A ministra Cármen Lúcia disse que, nos EUA, “foi reconhecido o mérito do sistema eleitoral”. O comentário, então, foi acompanhado pelo ministro Alexandre de Moraes, que leu o trecho da ordem executiva na íntegra e, depois, disse:

“O Brasil é citado expressamente como modelo de sucesso pelo presidente norte-americano. Enquanto isso, aqui, houve toda uma preparação para colocar em dúvida as urnas eletrônicas. E a Abin [Agência Brasileira de Inteligência], sob a gestão de seu então diretor-geral, participou desse movimento”.

Ao comparar a ordem executiva com os ataques feitos por membros do governo Bolsonaro às urnas eletrônicas, Moraes acabou gerando confusão nas redes: usuários começaram a divulgar que Trump teria elogiado as urnas eletrônicas brasileiras — o que não ocorreu. Já bolsonaristas tacharam o ministro como “mentiroso” e “propagador de fake news”.

O caminho da apuração

Aos Fatos procurou a ordem executiva citada nas peças de desinformação e averiguou que há uma distorção nas afirmações. A reportagem também procurou a fala de Alexandre de Moraes no julgamento para explicar a confusão que tem sido feita nas redes.

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