Ameaça de Trump de bombardear América Latina não tem a ver com exercícios militares no RJ

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A declaração em que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça “bombardeios terrestres” na América Latina é antiga e sem relação com exercícios militares recentes no Brasil com a presença de americanos. Diferentemente do que alegam nas redes, a fala é de dezembro de 2025 e diz respeito a operações contra o narcotráfico venezuelano. Um mês depois, os EUA atacaram Caracas e capturaram Nicolás Maduro.

As publicações enganosas acumulavam ao menos milhares de interações no Instagram e no Facebook até a tarde desta quarta-feira (13).

Maior navio de guerra dos EUA entra na costa brasileira (...) Trump diz que bombardeios terrestres na América Latina começarão ‘muito em breve’.

Na parte superior da imagem, aparece o título: ‘Maior navio de guerra dos EUA entra na costa brasileira com 60 aviões e 5 mil militares a bordo para série de operações militares’. Abaixo, há uma foto de Donald Trump — homem idoso de cabelos loiros e pele clara, vestido com terno preto e gravata vermelha — com expressão séria. Sobre a imagem, um texto em letras grandes afirma: ‘TRUMP DIZ QUE BOMBARDEIOS TERRESTRES NA AMÉRICA LATINA COMEÇARÃO ‘MUITO EM BREVE’. O logotipo do g1 aparece no centro da montagem.

São enganosas as publicações que relacionam uma ameaça de bombardeio na América Latina feita por Trump com a chegada de um navio militar americano ao Brasil.

A declaração citada pelos posts é real, mas aconteceu no ano passado. Durante uma reunião de gabinete em 2 de dezembro, Trump comentava sobre bombardeios a navios supostamente ligados ao narcotráfico latino-americano.

“Eu quero que esses barcos sejam eliminados, e se preciso, vamos fazer ataques terrestres assim como fizemos no mar (...) Essas pessoas mataram mais de 200 mil pessoas [nos EUA] no ano passado, e esses números estão baixando. Estão baixando porque estamos fazendo os bombardeios [a barcos], e vamos começar a fazer esses ataques por terra também. Por terra é muito mais fácil, sabia? Sabemos as rotas que eles tomam, onde vivem, sabemos tudo sobre eles, e vamos começar isso muito em breve também”, disse o presidente americano.

Naquela época, os EUA estavam numa ofensiva contra embarcações no Caribe e no Oceano Pacífico, que, segundo o governo americano, transportavam drogas. A maior parte dos navios eram venezuelanos.

A fala aconteceu cerca de dois meses depois de o Wall Street Journal divulgar que Trump considerava atacar alvos militares na Venezuela.

A operação terrestre no país vizinho se deu em 3 de janeiro de 2026, menos de um mês após a ameaça de Trump. As forças americanas atacaram Caracas e capturaram o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro.

Já o porta-aviões USS Nimitz, com 6.000 militares americanos, atracou na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, em 7 de maio deste ano. A embarcação realiza uma missão em parceria com países sul-americanos. Os americanos participam de treinamentos com militares brasileiros até quinta-feira (14).

Os exercícios fazem parte da missão americana Southern Seas 2026, que ocorre desde 2007 para fortalecer parcerias militares dos EUA com países da América do Sul. Antes do Brasil, os americanos passaram pelo Equador, pelo Chile e pela Argentina.

O caminho da apuração

Aos Fatos buscou reportagens publicadas por outros veículos de imprensa sobre os dois casos citados na peça de desinformação — a ameaça feita por Trump e a ancoragem do navio de guerra americano no Rio de Janeiro — e buscou mais informações sobre o contexto de cada um deles.

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