Ordem de Trump que libera ações militares na América Latina é antiga e não inclui o Brasil

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Não é verdade que o presidente americano Donald Trump assinou recentemente um documento que autoriza uma invasão ao Brasil. As publicações distorcem uma reportagem do Jornal Nacional de agosto de 2025 sobre uma ordem do governo americano para permitir ações militares contra cartéis na Venezuela e no México.

O vídeo descontextualizado acumulava mais de 5.000 curtidas no Instagram e 2.500 compartilhamentos no Facebook. O conteúdo também foi enviado por leitores via WhatsApp.

Trump assinou autorização para invadir o Brasil

Imagem mostra montagem com fundo azul e elementos gráficos que lembram telejornal. No centro, aparece mulher de pele clara, com cabelo longo castanho, usando óculos de armação escura e blusa azul, olhando para a câmera com expressão neutra. À esquerda, há duas imagens menores: na parte superior, o presidente Lula, homem de pele clara, cabelo curto branco e barba grisalha, vestindo terno escuro e camisa branca; na parte inferior, Donald Trump, homem de pele clara, cabelo claro penteado para trás, usando terno escuro e gravata vermelha. No topo da imagem, texto em destaque diz: ‘TRUMP ASSINOU AUTORIZAÇÃO PARA INVADIR O BRASIL’.

Publicações nas redes têm compartilhado uma reportagem antiga do Jornal Nacional para sugerir que Trump teria autorizado que as forças armadas americanas invadissem o Brasil.

A gravação compartilhada nas redes foi ao ar originalmente em 9 de agosto de 2025 e repercutia um texto publicado no The New York Times um dia antes. Segundo o jornal americano, Trump teria assinado uma ordem secreta permitindo que o Pentágono usasse forças militares contra cartéis de drogas latino-americanos.

Naquela época, nenhuma organização criminosa brasileira estava incluída nas listas de cartéis de drogas ou organizações terroristas dos EUA. O Brasil sequer era citado na reportagem.

De acordo com o veículo americano, a ordem era voltada a ações na Venezuela e no México. Meses depois, em janeiro de 2026, os americanos realizaram uma operação e capturaram Nicolás Maduro.

As peças de desinformação circulam em um contexto que envolve decisões recentes do governo americano sobre o narcotráfico brasileiro:

  • Em março, o Departamento de Estado dos EUA publicou uma nota na qual afirma que as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) seriam ameaças de alcance regional;
  • Duas semanas atrás, os americanos enviaram um aviso ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, de que podem classificar os grupos criminosos como organizações terroristas, o que abre caminho para possíveis sanções ou intervenções externas. Isso, no entanto, ainda não ocorreu.

Na semana passada, o Metrópoles noticiou que o governo Trump publicou um relatório que classifica o Brasil como um dos principais fornecedores de insumos para produção de drogas.

Aos Fatos não encontrou o documento citado, mas identificou que o Brasil já tinha sido classificado da mesma maneira em anos anteriores (confira aqui os documentos de 2025, 2024 e 2023).

O caminho da apuração

Aos Fatos fez uma busca reversa pela reportagem compartilhada pelas peças de desinformação e procurou o texto do New York Times citado. Também procuramos as bases de dados de organizações terroristas e organizações sancionadas pelos EUA no site do Departamento de Estado.

Por fim, recuperamos as informações mais recentes sobre a pressão do governo americano sobre o PCC e o CV publicadas na imprensa brasileira.

Referências

  1. Globoplay
  2. The New York Times
  3. Sanctions Search
  4. Departamento de Estado dos EUA (1, 2, 3 e 4)
  5. g1 (1 e 2)
  6. Metrópoles (1 e 2)

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