No TikTok, virais com #Bolsonaro2022 têm mais ataques e desinformação que #Lula2022

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Com 650 milhões de visualizações no TikTok desde o início da campanha eleitoral, em 16 de agosto, as hashtags #Bolsonaro2022 e #Lula2022 servem como termômetro do tipo de conteúdo que apoiadores dos dois candidatos publicam na plataforma. O Radar Aos Fatos analisou os 50 vídeos mais populares de cada uma delas e constatou que quase metade (23) dos posts de apoio à reeleição de Jair Bolsonaro (PL) continham ataques ou desinformação, contra um quarto (12) dos favoráveis a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apenas 4 dos 100 vídeos continham as duas tags.

#Bolsonaro2022 com ataques a Lula

  • A peça desinformativa com maior audiência no TikTok entre as que contêm a hashtag soma 15 milhões de visualizações. O conteúdo mostra trecho final da entrevista de Lula ao Jornal Nacional, em que o petista organiza objetos sobre a mesa, para sugerir que ele teria furtado uma caneta;
  • Outra postagem com a hashtag manipula trecho do debate organizado por Band, UOL, Folha de S.Paulo e TV Cultura para insinuar que o petista teria perdido a linha de raciocínio ao criticar privatizações promovidas por Bolsonaro. Como é possível constatar na transcrição completa, Lula parou de falar pois o tempo havia acabado e os mediadores o interromperam;
  • Outros 14 conteúdos com a tag miravam no ex-presidente – 10 deles com ataques ou desinformação.

#Lula2022 com ataques a Bolsonaro

  • Ao todo, 17 vídeos com a #Lula2022 tinham Bolsonaro como alvo, oito com ataques e desinformação;
  • O de maior audiência soma 10 milhões de visualizações e mostra uma mulher declamando versos chamando o presidente de “ladrão”;
  • Outro, visto mais de 3,6 milhões de vezes, desinforma sobre Bolsonaro ter sido preso por planejar ato terrorista contra o Exército. Na verdade, o que motivou sua prisão, em 1986, foi a publicação de um artigo na revista Veja pedindo aumento salarial para a tropa.

Combo: exaltação com desinformação

Além de ataques, as hashtags também foram usadas para exaltar os candidatos. A maioria trazia clipes dos presidenciáveis em entrevistas ou comícios, com falas impactantes ou bem humoradas.

  • Um trecho do debate organizado por SBT, CNN Brasil, Nova Brasil FM, O Estado de S. Paulo, Rádio Eldorado, Veja e Terra em que Bolsonaro exagera a responsabilidade de seu governo sobre as obras da transposição do rio São Francisco atingiu 2,9 milhões de visualizações;
  • Viralizaram também conteúdos com declarações de apoio aos candidatos à Presidência — 11 vídeos com a #Lula2022 e 10 com #Bolsonaro2022. No entanto, duas gravações favoráveis ao presidente mentem sobre a orientação política de famosos. Um deles, repete a afirmação de que Roberto Carlos teria declarado voto pela reeleição, o que não é verdade. A alegação foi desmentida em 2018 e o cantor afirmou que não irá apoiar nenhum candidato este ano.

Outro lado. Questionado a respeito dos conteúdos desinformativos ou de ataques a opositores, o TikTok listou medidas que emprega no combate à desinformação na plataforma, entre elas a parceria com agências de checagem. "Nós levamos extremamente a sério a responsabilidade que temos em proteger a integridade da plataforma e das eleições", afirmou a empresa, em nota.

Na página da hashtag #Bolsonaro2022, a plataforma disponibiliza um aviso lembrando os usuários sobre suas diretrizes, que “proíbem desinformação que possa causar dano ou enganar nossos usuários, incluindo conteúdo sobre eleições”, e incentivando que os usuários relatem conteúdos que violem essas regras e verifiquem a veracidade das informações publicadas. O mesmo aviso não aparecia na página da hashtag #Lula2022 até esta quinta-feira pela manhã, mas foi incluído após contato da reportagem.

METODOLOGIA

O Radar Aos Fatos coletou vídeos que continham as hashtags #Bolsonaro2022, #Lula2022 postados entre 16 de agosto e 27 de setembro de 2022 no TikTok por meio da ferramenta TikTok Hashtag Analysis, desenvolvida pelo site Bellingcat. Depois, a reportagem assistiu aos 50 vídeos com mais visualizações de cada hashtag e classificou a incidência de ataques ou desinformação nesses conteúdos.

Referências

  1. Aos Fatos (1 e 2)
  2. UOL
  3. Agência Lupa
  4. CartaCapital

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