Tarefa do Kwai incentiva criadores a atacar STF por julgamento de Bolsonaro

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​​​​​​Um desafio proposto pelo Kwai incentiva os criadores da plataforma a fazerem publicações com ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) em troca de engajamento. A campanha promete dar mais exposição a quem criar conteúdos sobre o tema “vídeo ilegal pode anular processo contra Bolsonaro” utilizando a hashtag #ilegal.

O conteúdo sugerido pelo Kwai faz referência à exibição de um vídeo do 8 de Janeiro pelo ministro Alexandre de Moraes durante o julgamento da última quarta-feira (26), que tornou Jair Bolsonaro (PL) réu por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.

Moraes exibiu o vídeo durante a leitura de seu voto para rebater as alegações de que não teria havido emprego de violência nos ataques. Apoiadores do ex-presidente, porém, têm alegado que o registro não poderia ter sido exibido por não estar no processo.

A mensagem propondo disseminar críticas à exibição do vídeo foi enviada aos criadores de conteúdo no fim de semana pelo perfil Kwai Notícias Brasil, que foi derrubado logo após o caso repercutir entre usuários do X.

Na página da conta, que ostentava um selo de verificação, é exibida mensagem informando que o banimento ocorreu por violação às regras da plataforma. Aos Fatos questionou o Kwai se o perfil derrubado era oficial ou, caso não fosse, como teria conseguido enviar mensagens aos criadores de conteúdo.

A empresa não respondeu às perguntas, mas disse que removeu a tarefa após avaliação e que “é totalmente apartidária e não endossa ou favorece nenhum candidato, partido político ou ideologia”.

Íntegra do posicionamento do Kwai

Primeiramente, é importante destacar que, após a avaliação conduzida pelos recursos de segurança do aplicativo, a tarefa mencionada foi completamente removida.
O Kwai reforça seu compromisso com a transparência, a ética e o cumprimento dos princípios regulatórios e institucionais. A plataforma é totalmente apartidária e não endossa ou favorece nenhum candidato, partido político ou ideologia.
O Kwai tem uma política robusta de combate à desinformação, com diretrizes rígidas que incluem parcerias com agências independentes para verificação de fatos e identificação de conteúdo falso ou enganoso. Além disso, há equipes internas dedicadas à auditoria e ao monitoramento contínuos para garantir um ambiente seguro e confiável.
Durante o segundo semestre de 2024 (de 1º de julho a 31 de dezembro), o Kwai removeu 3.179.872 vídeos no Brasil por violar as Diretrizes da Comunidade ou os Termos de Serviço. Esse volume representa menos de 1% de todo o conteúdo carregado na plataforma durante o período.
Além disso, 799.762 contas foram removidas no Brasil, com 223.843 delas suspeitas de serem operadas por usuários menores de 13 anos. O comprometimento com a segurança também se reflete no tempo de resposta a denúncias: 96,50% dos casos foram revisados em menos de uma hora.
A plataforma conta com mecanismos de segurança que operam 24 horas por dia, 7 dias por semana, combinando inteligência artificial e análise humana para identificar e remover rapidamente conteúdo que viole ou infrinja as políticas da comunidade. Vídeos identificados como violadores de políticas podem ter visibilidade reduzida, ser rotulados como desinformação ou ser removidos, e violações persistentes podem resultar em banimentos de contas.
O Kwai também oferece um recurso de “denúncia” diretamente pelo aplicativo, incentivando a comunidade a sinalizar conteúdo que possa prejudicar seu ecossistema, ou pelo e-mail customer-service@kwai.com.
A companhia acredita que disseminar informações precisas e responsáveis é essencial para manter um espaço digital saudável e construtivo. Adicionalmente, reitera seu comprometimento em tomar as medidas necessárias e aprimorar o processo caso qualquer violação de suas políticas seja confirmada.

Imagem da página ‘Tarefas de Criador’ no Kwai. O texto indica uma tarefa para criadores de conteúdo, com o tema ‘Vídeo ilegal pode anular processo contra Bolsonaro’. A tarefa exige a publicação de pelo menos um vídeo por dia, com a hashtag ‘ilegal’ e conteúdo ‘relevante, verdadeiro e confiável’. Há um aviso para não divulgar informações falsas e um incentivo de tráfego adicional para vídeos de alta qualidade. O número de participantes é 58.
Mensagem enviada pelo perfil Kwai Notícias Brasil incentiva usuários a atacar vídeo exibido por Moraes durante julgamento no STF (Reprodução)

Além de colocar como regra o uso da hashtag #ilegal, o texto que acompanhava a tarefa dizia que vídeos de alta qualidade publicados pelos participantes do desafio seriam incentivados com um tráfego adicional de 5.000 exibições “fornecido oficialmente”.

A mensagem, porém, ponderava que o conteúdo do vídeo deveria ser “relevante ao tema, verdadeiro e confiável, sem informações falsas”. Não é indicado como o Kwai verificaria se as regras estariam sendo cumpridas.

Central do criador. As tarefas são propostas aos usuários por meio da central do criador do Kwai. Em fevereiro, Aos Fatos já havia mostrado que a plataforma estava usando o canal para incentivar os criadores de conteúdo a divulgar jogos ilegais fraudulentos em troca de dinheiro.

Na época, a plataforma derrubou os jogos irregulares denunciados pela reportagem, mas o problema voltou. Nesta segunda-feira (31), o aplicativo listava uma série de sites ilegais na aba “tarefas de afiliados”, prometendo aos usuários que divulgassem os links o pagamento de comissão para cada vítima que caísse nos golpes.

Aos Fatos também questionou o Kwai sobre o retorno dos jogos ilegais à central do criador da plataforma, mas a empresa não respondeu a essa pergunta.

O caminho da apuração

Aos Fatos tomou conhecimento da questão pelas queixas de usuários no X e confirmou o envio da tarefa no próprio aplicativo. Na sequência, a reportagem procurou a empresa para que pudesse se posicionar.


Atualização: Esta reportagem foi atualizada às 18h29 de 31 de março de 2025 para incluir o posicionamento do Kwai.

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