Tabela que compara mortes por Covid-19 com outras causas traz dados falsos

Por Amanda Ribeiro

17 de abril de 2020, 14h12


Uma tabela que lista números de mortes por diversas causas tem sido compartilhada nas redes sociais em publicações que buscam relativizar e minimizar a gravidade da Covid-19. No entanto, os dados, que supostamente teriam sido coletados pelo sistema DataSUS, do Ministério da Saúde, entre janeiro e março deste ano, são falsos. Segundo a pasta, ainda não há números consolidados de 2020 de mortes pelas causas citadas. Os últimos dados disponíveis são de 2018.

O conteúdo tem sido compartilhado principalmente no WhatsApp, por onde foi enviado ao Aos Fatos como sugestão de checagem (inscreva-se aqui). No Facebook, publicações do tipo acumulavam cerca de 1.000 compartilhamentos até a tarde desta quinta-feira (16). Todas as postagens foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da rede social (saiba como funciona).


FALSO

Não há dados consolidados disponíveis de mortalidade no Brasil entre os meses de janeiro e março de 2020 que permitam comparar o número de vítimas de Covid-19 com os de outras causas, como infarto, cirrose e acidentes de trânsito. É falsa, portanto, uma tabela que tem circulado no WhatsApp e no Facebook com informações atribuídas ao DataSUS, sistema do Ministério da Saúde. A pasta nega a veracidade do conteúdo.

Questionado pelo Aos Fatos a respeito dos dados, que mostram, por exemplo, 41.425 mortes em três meses no Brasil por ataques cardíacos, o Ministério da Saúde afirmou que “os dados de óbitos são notificados ao Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e são fechados a cada dois anos”. Por isso, seria impossível ter números tão atualizados.

Segundo a pasta, fazer uma comparação entre causas de morte também é equivocado, porque “pacientes que vieram a óbito poderiam ter mais de uma comorbidade. Já em relação ao Covid-19, várias são as comorbidades associadas nos casos dos pacientes que vieram a óbito”.

Também é importante destacar que o número de mortos por Covid-19 em 30 de março não é o destacado pela peça de desinformação. Naquele dia, o Brasil 159 mortes pela infecção pelo novo coronavírus, não 940.

Mortalidade. Como explicou ao Aos Fatos em checagem anterior Natália Pasternak, bióloga do IQC (Instituto Questão de Ciência), as taxas de mortalidade da infecção causada pelo novo coronavírus são graves, mas os maiores desafios que a pandemia representa são a rapidez do contágio e a demanda por hospitalização.

“O verdadeiro problema é que o vírus se espalha muito depressa, em ritmo exponencial, e com uma eficiência muito grande: isso quer dizer que muita gente acaba precisando de ajuda médica, hospitalização, UTI, etc., ao mesmo tempo, o que sobrecarrega o sistema”, afirmou.

A especialista em história das epidemias do IFBA (Instituto Federal da Bahia) Christiane Maria Cruz de Sousa concorda. Segundo ela, diferentemente de uma doença que mata cotidianamente, como o câncer, uma epidemia “surge repentinamente e o número de mortos se acumula. São muitos mortos e doentes que colocam em xeque o sistema de saúde disponível para tratar de tanta gente ao mesmo tempo”.

O Fato ou Fake, o Estadão Verifica e o Boatos.org também fizeram checagens similares sobre a peça de desinformação.

Referências:

1. Aos Fatos