Suprema Corte americana não convocou Guarda Nacional para prender funcionários da eleição

Por Luiz Fernando Menezes

12 de novembro de 2020, 14h04


Não é verdade que a Suprema Corte dos Estados Unidos tenha convocado a Guarda Nacional para prender mesários, contadores de votos e funcionários dos correios em 12 estados americanos (veja aqui). Além de a informação ter sido negada pela força militar, a Justiça não tem o poder de acioná-la: sua requisição só pode ser feita por governadores e pelo presidente do país.

Compartilhadas nas redes brasileiras por perfis pessoais no Facebook, as publicações com a falsa afirmação acumulavam ao menos 8.000 compartilhamentos até a tarde desta quinta-feira (12). Todas as postagens foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da plataforma (saiba como funciona).


FALSO

SUPREMA CORTE DOS EUA CONVOCA A GUARDA NACIONAL EM 12 ESTADOS E COMEÇA A EFETUAR prisões de mesários, funcionários de correios e contadores de votos. EIS AÍ UM PAÍS QUE SE RESPEITA.

Publicações nas redes sociais têm disseminado a falsa informação de que a Suprema Corte dos EUA teria convocado a Guarda Nacional para efetuar prisões de mesários, contadores de votos e funcionários dos correios em 12 estados americanos. A própria força militar, no entanto, nega a veracidade das postagens: “A afirmação da publicação é totalmente falsa. Todos os membros da Guarda Nacional em serviço para auxiliar as eleições americanas ficaram sob a direção dos governadores de seus respectivos estados”, afirmou a assessoria de comunicação da guarda ao Aos Fatos via e-mail.

A força explicou ainda que a Suprema Corte não tem poder para convocar suas tropas. Segundo o site de recrutamento da guarda, seus militares podem ser acionados apenas pelos governadores e pelo presidente.

A Guarda Nacional chegou a participar ativamente da segurança durante as eleições, principalmente na data oficial do pleito. Segundo o Military Times, foram acionados ao menos 3.600 militares para auxiliar as equipes eleitorais de 16 estados americanos. Não há, no entanto, nenhuma notícia, seja na imprensa, seja nos sites oficiais da Guarda Nacional e da Suprema Corte, sobre a prisão de funcionários eleitorais nos EUA.

Diferentemente do que ocorreu na semana das eleições americanas, essa desinformação não parece ter viralizado primeiro nos EUA, antes de ser importada para as redes brasileiras. Lá, a Guarda Nacional foi citada em peças que afirmavam que a força militar só estaria sendo acionada em cidades majoritariamente democratas. Segundo as publicações, isso seria indício de que os militares estariam se preparando para uma onda de violência de apoiadores de Joe Biden.

As equipes do Boatos.org, e-Farsas, Fato ou Fake e Agência Lupa também desmentiram as peças de desinformação.

Referências:

1. Army National Guard
2. Military Times
3. National Guard
4. Supreme Court
5. Politifact

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