Com o voto da ministra Cármen Lúcia, a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria, nesta quinta-feira (11), para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelos crimes de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Além de Bolsonaro, também há maioria para condenar o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ); o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos; o ex-ministro da Justiça Anderson Torres; o ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) Augusto Heleno; o ex-ajudante de ordens Mauro Cid; o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira; e o ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto.
Os fatos que levaram à condenação do ex-mandatário e dos demais réus do chamado núcleo central da trama golpista começaram a se desenrolar ainda antes das eleições de 2022, quando foram intensificados os ataques contra o sistema eletrônico de votação.
Com a derrota nas eleições, o ex-presidente e seus aliados passaram a cogitar medidas de exceção que evitassem a posse de Lula. A desconfiança instigada pelas mentiras reiteradas levou apoiadores a se reunirem diante de quartéis e, em 8 de janeiro de 2023, a atentarem contra a democracia, invadindo e depredando as sedes dos Poderes.
Ao longo de todo o processo, Bolsonaro e seu grupo político seguiram disseminando mentiras para tentar desvencilhar o ex-presidente das acusações, alegando que ele seria vítima de uma perseguição do Judiciário.
A campanha ganhou, inclusive, dimensões internacionais, com a taxação de exportações brasileiras para os Estados Unidos após articulação do deputado federal e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Abaixo, Aos Fatos detalha em uma linha do tempo os principais fatos que levaram à condenação de Bolsonaro — e as mentiras sobre o caso que circularam ao longo de todo o período.
Das eleições à condenação
Os fatos do processo de Bolsonaro e as mentiras que os acompanharam.
Bolsonaro convoca representantes diplomáticos e usa desinformação para atacar o sistema eletrônico.
Ex-presidente participa de podcasts e lives em que dissemina informações falsas sobre as urnas.
Mentiras propagadas por Bolsonaro fazem com que eleitores formem movimento de "fiscais", que se organizam para monitorar o pleito. Redes são inundadas de desinformação eleitoral.
Bolsonaro fica calado e deixa eleitores inconformados com o resultado conspirarem cenários em que a eleição de Lula pudesse ser revertida.
Começa a viralizar nas redes o documento produzido pelo argentino Fernando Cerimedo, aliado de Eduardo Bolsonaro (PL-RJ), que sugere, com base em argumentos falaciosos, que teria havido fraude.
Ministério da Defesa publica relatório que não aponta fraude nas urnas. Apesar disso, trechos do documento que indicam um suposto risco na segurança dos equipamentos são compartilhados nas redes por bolsonaristas para manter a base engajada.
PL apresenta relatório pedindo a anulação dos votos de 60% das urnas no segundo turno.
Cenas descontextualizadas de exercícios e movimentações militares alimentam tese de intervenção. Também circula nas redes história de que Lula não poderia assumir Presidência por conta da Lei da Ficha Limpa.
George Washington de Oliveira, que integrava os acampamentos golpistas, instala um artefato explosivo em um caminhão próximo ao Aeroporto de Brasília.
Bolsonaro faz uma live na qual volta a mentir sobre o processo eleitoral e diz que estudou possibilidades de reverter a vitória de Lula.
Bolsonaristas invadem e destroem os prédios dos Três Poderes em meio a uma manifestação que pede por intervenção militar e questiona a eleição de Lula.
Após repercussão negativa, bolsonaristas tentam atribuir vandalismo a "infiltrados da esquerda" sem apresentar qualquer tipo de prova.
Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro é preso pela PF em meio a investigação sobre inserção de dados falsos sobre vacinação contra a Covid-19 no sistema do Ministério da Saúde. Celular de Bolsonaro também é apreendido.
Por 5 votos a 2, TSE declara Bolsonaro inelegível por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação em razão dos ataques ao sistema eletrônico de votação disseminados durante reunião com os embaixadores em 2022.
Tribunal condena o ex-presidente novamente, agora por uso eleitoral das comemorações do 7 de Setembro de 2022.
Investigação aponta que ex-presidente e mais 36 aliados tentaram planejar um golpe de Estado.
Ministro Alexandre de Moraes torna públicos os vídeos da delação premiada de Mauro Cid.
Corte abre nova investigação, dessa vez contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por possíveis crimes de coação no curso do processo de seu pai.
Tenente-coronel é o primeiro a ser interrogado pela Primeira Turma do STF. Trechos de seu depoimento são tirados de contexto para tentar isentar Bolsonaro de participação na trama golpista.
Bolsonaro é interrogado pelo STF e volta a mentir sobre as urnas e as eleições de 2022 para sugerir que vinha sendo sistematicamente prejudicado pelo Judiciário brasileiro.
Donald Trump anuncia tarifas de 50% sobre importações brasileiras e alega que o motivo seria a perseguição política contra Bolsonaro.
Moraes decreta a prisão domiciliar de Bolsonaro por descumprimento de medidas cautelares. Ex-presidente apareceu em posts, vídeos e ligações para apoiadores durante manifestações ocorridas no dia anterior.
Primeira Turma do STF forma maioria para condenar Bolsonaro por todos os crimes ligados à trama golpista.




