Spray nasal citado no ‘Fantástico’ não é o mesmo que Bolsonaro defendeu em 2021

Por Luiz Fernando Menezes

6 de junho de 2022, 18h44

Não há relação entre as vacinas de spray nasal citadas em reportagem do “Fantástico”, na Globo, na edição de 5 de junho de 2022, e o medicamento que foi apresentado ao presidente Jair Bolsonaro (PL) em março de 2021, como afirmam postagens nas redes sociais (veja aqui). A comitiva brasileira conheceu um remédio que estava sendo testado para suprimir o processo inflamatório da Covid-19, não uma vacina. A reportagem, por sua vez, citava que o desenvolvimento de imunizantes nasais e orais pode ajudar a combater a pandemia.

Publicações com a alegação enganosa somavam ao menos 4.000 compartilhamentos no Facebook nesta segunda-feira (2) e 2.500 no Twitter.


Selo falso

Posts enganam ao sugerir que Fantástico publicou reportagem que spray de Israel seria ‘caminho para o fim da pandemia’

A vacina de spray nasal citada como um caminho para vencer a pandemia em uma reportagem do Fantástico, da TV Globo, não tem relação com o medicamento apresentado ao presidente Jair Bolsonaro (PL) em Israel, como afirmam postagens. O spray mostrado à comitiva brasileira é um medicamento que estava sendo testado para suprimir o processo inflamatório da Covid-19, que ainda não teve eficácia comprovada. Já o imunizante sugerido por especialistas seria uma evolução das vacinas hoje aplicadas.

Em março de 2021, uma comitiva do governo brasileiro visitou Israel para conhecer o spray nasal EXO-CD 24. O medicamento, originalmente criado para o tratamento do câncer de ovário, estava sendo testado para combater as infecções causadas pela Covid-19. Segundo uma ferramenta do jornal The New York Times que analisa artigos científicos e acompanha avanços no tratamento da doença, o spray ainda não teve os resultados de todos os testes clínicos divulgados, portanto sua eficácia não é certa.

Já a reportagem veiculada pelo Fantástico não cita esse medicamento, nem qualquer outro produto específico. A reportagem ouviu especialistas que afirmam que as próximas gerações de vacinas precisam, além de funcionar contra todas as variantes do vírus Sars-CoV-2, ser aplicadas nas mucosas nasais e orais, porque é ali que o novo coronavírus se multiplica.

A epidemiologista Denise Garrett, especialista que foi entrevistada para a reportagem do Fantástico, explicou ao Aos Fatos que não se referia ao spray de Israel, medicamento que atuaria como um antiviral. A vacina, por sua vez, tem o objetivo de induzir a produção de anticorpos: “Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Citei a necessidade de vacinas orais e nasais”, afirma.

Segundo o Ministério da Saúde, vacinas nasais costumam ter uma resposta imunológica melhor em casos de doenças do trato respiratório porque atuam em uma área de grande superfície e de grande vascularização. Um exemplo é a FluMist, imunizante contra a influenza vendido no Brasil que tem eficácia superior à vacina injetável.

Referências:

1. G1 (Fontes 1 e 2)
2. Folha de S. Paulo
3. CNN Brasil
4. Ministério da Saúde (Fontes 1 e 2)
5. The New York Times


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