Não é verdade que o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) disse que é preciso “repensar” o voto feminino porque “mulheres votam mal”, como afirmam postagens nas redes sociais. O parlamentar negou ter feito a declaração e não há registros da fala na imprensa ou nas redes sociais do parlamentar.
Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 4.000 mil interações no Instagram e no Facebook até a tarde desta quarta-feira (29).
TEMOS QUE REPENSAR O VOTO FEMININO. MULHER VOTA COM A EMOÇÃO, POR ISSO VOTA MAL.

Publicações nas redes enganam ao atribuir ao deputado federal Sóstenes Cavalcante a declaração de que seria preciso "repensar" o voto feminino porque "mulher vota com a emoção, por isso vota mal". O político negou ter feito essa declaração, por meio de sua assessoria. Além disso, não há registros da frase na imprensa, em canais oficiais ou nas redes sociais do parlamentar.
As peças desinformativas utilizam um trecho de uma entrevista concedida pelo deputado em 29 de abril, após o Senado rejeitar a indicação do então advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).
Em um trecho, publicado pela Jovem Pan News, o parlamentar diz:
“A questão dele ser de esquerda pesou muito mais do que ele ser evangélico. E eu tinha conversado isso com o ministro Messias, que a questão da indicação dele, do presidente Lula e de alguns comportamentos dele como AGU, pesaria muito contrário à sua aprovação. Eu já tinha dialogado isso com ele porque, lamentavelmente, algumas decisões deles na dele na AGU foi muito mal entendida pelo segmento evangélico. Mas a resposta aqui hoje é muito mais ao governo Lula do que a própria pessoa física do doutor Messias”.
A CNN Brasil também publicou parte da declaração, mas um trecho menor (veja aqui).
Aos Fatos também não encontrou a suposta declaração de Sóstenes de que seria preciso "repensar" o voto feminino porque "mulher vota com a emoção, por isso vota mal" na imprensa e nas redes sociais do deputado e nos registros da Câmara. Também não há nenhuma proposição de Sóstenes contrária ao voto feminino na Câmara dos Deputados.
Procurada por Aos Fatos, a assessoria de Sóstenes negou que o político tenha dado declaração similar a essa.
Fim do voto feminino. As publicações desinformativas surgem em meio à circulação, em grupos da extrema direita e da chamada “machosfera”, de discursos que questionam o direito de voto das mulheres ou defendem mudanças no sistema eleitoral com base no chamado "voto familiar".
Segundo essa proposta, apenas um integrante da família — geralmente o marido — exerceria o voto em nome de todo o núcleo familiar.
No Brasil, o tema ganhou repercussão após o influenciador Paulo Figueiredo afirmar em um vídeo publicado em 29 de junho no YouTube que "mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente mulheres solteiras".
A declaração foi feita ao comentar a desavença pública de Michelle Bolsonaro e seu enteado, o pré-candidato Flávio Bolsonaro. O episódio resultou na saída da ex-primeira-dama do comando do PL Mulher.
A disputa foi encerrada com manifestações públicas de conciliação pouco tempo depois, mas provocou reações de aliados de Flávio e jogou luz à dificuldade do senador em ampliar seu apoio entre o eleitorado feminino.
Esta peça de desinformação também foi checada pela Reuters.
O caminho da apuração
Aos Fatos analisou a entrevista utilizada pelas publicações e constatou que Sóstenes não faz qualquer declaração sobre voto feminino.
A reportagem também consultou canais oficiais, redes sociais e a cobertura da imprensa em busca da suposta frase e não encontrou registros.
Por fim, Aos Fatos procurou o deputado, que negou ter feito a declaração.





