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Série 'O tamanho do Estado': Brasil tem o nono maior orçamento para a Defesa no G10

16 de outubro de 2015, 21h19

Sétima economia do mundo em 2014, com PIB (Produto Interno Bruto) de R$ 2,35 trilhões, o Brasil gastou nesse mesmo ano R$ 31,9 bilhões no setor de Defesa. Isso corresponde a 1,3% — muito diferente de economias como a chinesa e a americana, mas bastante próximo do gasto proporcional de Itália e Índia.

A relação entre gastos e tamanho do PIB, entretanto, salta aos olhos por três motivos: 1. o Brasil não tem focos de conflito interno, como a Índia e sua atribulada relação com a região da Caxemira; 2. o Brasil não tem uma população do tamanho da Índia (1,3 bilhão de habitantes), embora tenha fronteira tão grande quanto (14,1 mil quilômetros, contra 17 mil do Brasil); e 3. o Brasil não participa regularmente de intervenções militares em guerras totais, como Afeganistão e Iraque.

Veja, abaixo, quanto cada uma das 10 maiores economias do mundo gasta com defesa.

A política de austeridade deste segundo mandato do governo Dilma reduziu ainda mais os investimentos do governo nesse setor. Os números de 2015, depois dos cortes praticados pelo Ministério do Planejamento, apontam para um orçamento de R$ 22,6 bilhões para a pasta da Defesa. Se a Itália mantiver ou ampliar seus investimentos na área, passará o Brasil.

O maior programa no quesito desembolso de todo o governo é tocado pela Marinha, sob o guarda-chuva da Defesa: contratos que totalizam R$ 24 bilhões com empresas como a Odebrecht — alvo da Operação Lava Jato — com o pretexto de construir de um submarino nuclear. Na verdade, o projeto, chamado de Prosub, também pretende construir quatro submarinos de propulsão eletrodiesel, além de uma base naval na região metropolitana do Rio de Janeiro.

A primeira etapa dessa obra, o estaleiro, foi inaugurada no ano passado. A previsão para a entrega do primeiro submarino convencional é 2018 — já com atraso de três anos. Dos demais, 2021. Do submarino nuclear, 2015.

Os planos da Marinha de desenvolver um submarino nuclear brasileiro datam de 1979. Segundo reportagem da Agência Estado em 2002, seis anos antes do lançamento do Prosub, o primeiro submarino nuclear feito no país deveria ter ficado pronto em 2003.

Outro projeto prioritário, de vigilância das fronteiras, está sob risco. O programa Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento das Fronteiras) começou a ser implantado em 2013, com prazo de conclusão de 10 anos, porém, depois de sucessivos contingenciamentos orçamentários, só 7,2% dos investimentos previstos até agora foram realizados. Era prometida a destinação de R$ 1 bilhão por ano.

Segundo o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, a previsão inicial do sistema era começar a funcionar a partir de 2022. Até antes do ajuste fiscal, a Defesa já tinha renovado prazos: a conclusão seria em 2035. Para este ano, a previsão é 2060.

A preocupação vale também para outros programas, como o Programa da Defesa Cibernética e a renovação da frota de blindados, com a compra de veículos Guarani.


Esta é a primeira reportagem da série 'O tamanho do Estado', que será publicada em capítulos temáticos.

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