Não é verdade que o governo Lula cortou o Bolsa Família de 900 mil famílias entre junho e julho de 2025 após mudanças nas regras de transição do programa. Embora as regras tenham sido alteradas em maio deste ano, a saída ocorreu porque as famílias passaram a ter renda acima do limite estabelecido — algo já previsto antes da atualização das normas.
Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam 5.700 compartilhamentos no Facebook e centenas de curtidas no Instagram até a tarde desta sexta-feira (25).
NOVO CORTE NO BOLSA FAMÍLIA CAUSA IMPACTO EM MILHARES DE FAMÍLIAS (..) Com isso, quase 900 mil famílias foram excluídas do programa entre junho e julho, o menor número de beneficiários dos últimos 3 anos.

Publicações enganam ao afirmar que o governo Lula cortou o Bolsa Família de mais de 900 mil famílias entre junho e julho deste ano. Na verdade, os beneficiários deixaram o programa porque passaram a ter renda acima do limite permitido e, por isso, foram desenquadradas do benefício, como já previa a regra em vigor antes mesmo de quaisquer mudanças.
As peças desinformativas surgiram após o governo divulgar, em 17 de julho, que cerca de 958 mil famílias deixaram de receber o benefício neste mês.
A informação foi tirada de contexto para afirmar que o governo teria realizado um corte generalizado, mas as publicações omitem que o motivo da saída foi o aumento de renda dos beneficiários, que passaram a não atender mais aos critérios do programa.
Maior programa de transferência de renda do Brasil, o Bolsa Família é destinado a famílias com renda mensal de até R$ 218 por pessoa. Quando a renda supera este valor, a regra de proteção do programa prevê que a família pode seguir recebendo o benefício por um período limitado — desde que não supere o valor de meio salário mínimo (hoje R$ 759) por membro da família.
Até maio de 2025, esse intervalo era de dois anos. No entanto, uma portaria publicada naquele mês reduziu o período para um ano e também baixou o teto da renda por pessoa para R$ 706.
No caso de famílias que recebem outros benefícios governamentais, como aposentadoria, pensão ou BPC (Benefício de Prestação Continuada), o tempo de permanência no Bolsa Família foi reduzido para dois meses.

No entanto, essas mudanças valem apenas para as famílias que passaram a se enquadrar na regra de proteção a partir de junho de 2025. Ou seja, quem já estava nesta situação antes continua sendo avaliado pelas regras anteriores.
A saída das 958 mil famílias, portanto, não tem relação com essas mudanças. Segundo dados do governo, 358 mil delas superaram o limite de meio salário mínimo por pessoa e, por isso, foram desenquadradas. Já as outras 536 mil atingiram os 24 meses permitidos pela regra antiga.
Esta peça de desinformação também foi checada pela AFP.
O caminho da apuração
Aos Fatos consultou a lei que institui o Bolsa Família, a portaria 1.804/2025 que estabeleceu as alterações recentes na regra de proteção e dados divulgados pelo governo federal sobre as famílias que deixaram de receber o benefício em julho deste mês.




