Rumble não foi bloqueado por Moraes após anúncio de tarifas de Trump

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Não é verdade que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes mandou bloquear a rede social Rumble no Brasil em resposta às tarifas de 50% impostas por Donald Trump sobre as exportações brasileiras. As peças de desinformação compartilham como se fosse recente um trecho do noticiário da GloboNews sobre a decisão tomada pelo ministro em fevereiro. Na época, a plataforma foi suspensa por descumprir decisões judiciais.

Publicações nas redes com o conteúdo enganoso acumulavam milhares de visualizações no Kwai e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta sexta-feira (11).

Xandão está provocando Trump. Tá certo, o Brasil não pode ser mandado por americanos.

Print de publicação no Kwai mostra o jornalista César Tralli — homem branco de cabelos levemente grisalhos, que usa um terno cinza, uma camisa azul e uma gravata azul marinho. Ele está posicionado em frente a um telão com um documento à mostra. No print está escrito: ‘Xandão está provocando Trump. Tá certo, o Brasil não pode ser mandado por americanos.’

Posts nas redes enganam ao alegar que o ministro Alexandre de Moraes teria ordenado o bloqueio do Rumble no Brasil nesta semana, em resposta às tarifas anunciadas por Trump. As peças de desinformação compartilham como se fosse recente um trecho da programação da GloboNews que foi ao ar em 21 de fevereiro deste ano.

Na época, o ministro justificou a decisão de encerrar a atuação da plataforma no país com a alegação de que o Rumble teria cometido “reiterados, conscientes e voluntários descumprimentos das ordens judiciais” e não teria pago multas expedidas pela Justiça brasileira.

Dias antes da suspensão, a plataforma havia apresentado à Justiça americana uma ação contra o ministro, aberta em conjunto com o grupo de comunicação Trump Media, de Donald Trump. As empresas acusam o magistrado brasileiro de “censura” e pedem que as decisões do STF que determinam a derrubada de perfis no Rumble não tenham valor legal nos EUA.

A ação alega ainda que o ministro estaria violando a soberania e a legislação dos EUA ao exigir a suspensão das contas do blogueiro foragido Allan dos Santos. No processo, estão anexadas cinco decisões sigilosas de Moraes, o que viola o segredo de Justiça, um crime no Brasil.

Na última terça (8), a Justiça da Flórida notificou o ministro pela terceira vez no processo e deu um prazo de 21 dias para manifestação da defesa. A AGU (Advocacia-Geral da União) acompanha o caso e deve aguardar novos desdobramentos antes de protocolar petições.

O caminho da apuração

Por meio de busca reversa de imagens, Aos Fatos verificou que a cena que mostra o jornalista César Tralli noticiando o bloqueio do Rumble no Brasil foi gravada em fevereiro deste ano e não tem relação com as tarifas impostas por Donald Trump.

Para esclarecer o contexto da decisão, a equipe consultou documentos públicos e reportagens da época, além de verificar se havia novas determinações judiciais sobre o funcionamento da plataforma no país. Por fim, Aos Fatos procurou o site do STF e os canais institucionais do governo brasileiro, onde não foram encontradas medidas recentes relacionadas ao Rumble.

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