Rodovia que rachou após terremoto não fica na fronteira de Brasil e Venezuela

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Não foi filmado na fronteira entre o Brasil e a Venezuela o vídeo que mostra uma rachadura em uma estrada, como afirmam posts nas redes. A gravação registra os danos causados pelos terremotos de 24 de junho em uma rodovia na região próxima à cidade de Móron, a cerca de 800 ​quilômetros de distância da fronteira com o Brasil.

O conteúdo enganoso acumulava 30.000 curtidas no Instagram e 1.000 compartilhamentos no Facebook nesta sexta-feira (10).

ENORME FENDA SE ABRE NA FRONTEIRA DO BRASIL COM A VENEZUELA

A imagem mostra um trecho de asfalto cinza com uma rachadura longa e escura que atravessa a pista na vertical. A abertura é mais larga na parte superior e vai se estreitando conforme desce, com pequenas fissuras se ramificando ao redor. O enquadramento é feito de cima para baixo, mostrando apenas o pavimento, sem pessoas ou outros elementos visíveis. Na parte superior da imagem há uma faixa vermelha com o texto em letras brancas: 'ENORME FENDA SE ABRE NA FRONTEIRA DO BRASIL COM A VENEZUELA'. Logo abaixo, sobre um retângulo branco, aparece outro texto em letras pretas distribuído em quatro linhas: 'Uma trinca se abriu agora pouco', 'Na fronteira do Brasil com a Venezuela', 'Assustando pessoas que sentiram' e 'Um forte tremor no chão'.

Posts nas redes enganam ao afirmar que uma gravação viral mostra uma rachadura aberta em uma estrada na fronteira entre Brasil e Venezuela após os terremotos de 24 de junho. Na verdade, o vídeo foi gravado próximo da cidade de Móron, em Carabobo, a cerca de 800 km de Roraima, estado brasileiro que faz fronteira com a Venezuela.

A gravação mostra danos na rodovia Móron-Coro, afetada pelos tremores. O mesmo registro foi publicado pela Telesur, rede de comunicação estatal, no dia seguinte aos abalos, com o contexto correto:

Veículos de imprensa locais também noticiaram os danos à rodovia (veja aqui e aqui). O governador de Caraboro gravou um vídeo no local para mostrar a cratera e informar aos motoristas e moradores que a via estará fechada para reparos.

As publicações falsas alegam que a rachadura teria surgido em 4 de julho na fronteira do Brasil com a Venezuela e “assustado moradores após fortes tremores”. Segundo a RSBR (Rede Sismográfica Brasileira), que monitora terremotos no país, não houve tremor próximo à fronteira na data.

Megaterremoto no país. As peças também usam a gravação para sugerir que o Brasil estaria prestes a presenciar um megaterremoto, o que é falso.

Um megaterremoto é um abalo sísmico de magnitude igual ou superior a 9. Esse tipo de evento ocorre, em geral, em zonas de subducção, onde uma placa tectônica desliza sob outra.

Esse não é o caso do Brasil, que fica no interior da placa Sul-Americana. Embora pequenos abalos sejam registrados com frequência no país, sua localização oferece uma proteção natural contra terremotos de magnitudes tão elevadas.

Aos Fatosdesmentiu posts desinformativos que alegavam que um megaterremoto estava previsto para acontecer em 10 de setembro no Brasil. Especialistas procurados pela reportagem explicaram que, além de geograficamente impossível pela localização do país, não existe atualmente tecnologia capaz de prever terremotos.

Tremores na Venezuela. A costa norte da Venezuela, onde fica Móron, foi atingida por dois dos maiores terremotos registrados no país em mais de um século. Na época, moradores de Amazonas, Pará e Amapá relataram ter sentido os tremores. Até o momento, há ao menos 3.889 mortos e quase 17 mil feridos.

Desde então, uma onda de desinformação sobre os terremotos passou a circular no Brasil, na Venezuela e em outros países de língua espanhola. Aos Fatos já desmentiu publicações falsas que exploravam o episódio, incluindo imagens de outros países e vídeos gerados por IA.

Esta peça também foi desmentida pela Reuters.

O caminho da apuração

Por meio de busca reversa, Aos Fatos localizou a mesma gravação sendo divulgada pela Telesur, veículo sediado em Caracas. Em seguida, identificamos reportagens da imprensa venezuelana falando sobre os danos no local.

A reportagem também consultou informações divulgadas pelo governador de Carabobo sobre a interdição da rodovia Móron-Coro e verificou que o local é o mesmo mostrado no vídeo compartilhado pelas peças enganosas.

Por fim, Aos Fatos consultou a Rede Sismográfica Brasileira para verificar a ocorrência de tremores no Brasil na data indicada.

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