É falso que reverendo pediu desculpas por não ter alertado para riscos de vacina contra Covid-19

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Não é verdade que o reverendo Amilton Gomes de Paula chorou e pediu desculpas à população por não ter alertado para os riscos da vacina contra a Covid-19, como alegam posts. Na realidade, no vídeo que circula nas redes sociais, ele confessa participação em um esquema de venda superfaturada de doses do imunizante. A gravação foi feita em agosto de 2021 durante depoimento do religioso à CPI da Covid-19 no Senado. As vacinas são consideradas seguras e eficazes contra a doença.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulam 11 mil compartilhamentos no Facebook e 12 mil visualizações no Kwai até a tarde desta quarta-feira (19).


Selo falso

A gente avisou muito! Agora só lamentos! Muitas pessoas morreram inocentemente e outras correndo risco e sequelas da picadinha do consórcio da morte!

Peças de desinformação tiram de contexto depoimento prestado à CPI da Covid-19 para afirmar que reverendo pediu desculpas pelos riscos causados pela vacina contra a Covid-19

Publicações nas redes têm compartilhado fora de contexto um trecho do depoimento de Amilton Gomes de Paula à CPI da Covid-19 para sugerir que o reverendo estaria se desculpando pelas mortes e sequelas causadas pelas vacinas. Na sessão de 3 de agosto de 2021, no entanto, o religioso chorou ao confessar sua participação em um esquema ilegal de venda superfaturada de imunizantes ao Ministério da Saúde. Ao longo de todo o seu depoimento, Gomes não fez qualquer menção a supostos riscos oferecidos pelas vacinas, que são consideradas seguras por órgãos nacionais e internacionais.

O trecho que circula nas redes mostra a resposta do reverendo a uma pergunta feita pelo senador Marcos Rogério (PL-RO). Ele questiona se o religioso foi enganado ou se participou conscientemente do esquema ilegal de superfaturamento. Sua fala completa é a seguinte:

“Nobre Senador Marcos Rogério, na minha família, todos são pastores, meus irmãos... Eu nasci num berço evangélico. Fui presidente de jovens... Fui presidente de... Trabalhei... A primeira igreja que eu construí foi num lugar afastado, na roça. Mesmo tendo o conhecimento, ali eu fui pastor por muito tempo. Eu creio que o maior erro que eu fiz foi abrir a porta da minha casa aqui em Brasília — eu sou de Brasília —, eu abri a porta da minha casa num momento assim em que eu estava enfrentando a perda de um ente querido da minha família, e eu queria vacina para o Brasil. Eu me sinto... Tenho culpa, sim. Hoje de madrugada, antes de vir para cá, eu dobrei os meus joelhos, orei... E aí eu peço desculpa ao Brasil. O que eu cometi não agradou primeiramente aos olhos de Deus.”

Questionado posteriormente pelo senador Omar Aziz (PSD-AM) sobre do que se arrependia, Paula respondeu: “De ter estado nessa operação das vacinas”, fazendo referência ao esquema de superfaturamento.

Fundador de uma ONG, o reverendo foi apontado como o intermediador entre o Ministério da Saúde e a empresa Davati Medical Supply, que ofertava vacinas contra a Covid-19. A Davati entrou na mira da CPI da Covid-19 após o policial militar Luiz Paulo Dominguetti afirmar em entrevista à Folha de S.Paulo que o então diretor de logística do ministério, Roberto Ferreira Dias, teria cobrado propina de US$ 1 por dose para fechar contrato com a empresa.

No relatório final da CPI da Covid-19, Dominguetti e outros representantes da Davati foram indiciados por corrupção ativa; Roberto Ferreira Dias, diretor de Logística do Ministério da Saúde, foi indiciado por corrupção passiva, formação de organização criminosa e improbidade administrativa; e o reverendo Amilton Gomes de Paula foi indiciado por tráfico de influência.

Referências

  1. TV Senado
  2. O Estado de S. Paulo (1 e 2)
  3. Anvisa
  4. Organização Mundial da Saúde
  5. Senado Federal (1 e 2)
  6. Folha de S. Paulo

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