Reportagem do The Wall Street Journal sobre Brasil não cita crime, estatais, ferrovias e fábrica de vacina

Por Luiz Fernando Menezes

8 de junho de 2021, 17h17

São enganosas as postagens que alegam que o jornal americano The Wall Street Journal exaltou o governo Bolsonaro e suas ações para promover crescimento econômico em meio à pandemia. Ao contrário do que afirmam publicações nas redes sociais (veja aqui), o periódico econômico não citou índices de criminalidade, lucros de estatais, obras de ferrovias ou fábrica de vacinas no Rio de Janeiro e ponderou que a expansão da economia aconteceu apesar da alta de casos de Covid-19 no país.

O conteúdo FALSO vem sendo disseminado nas redes sociais e reunia ao menos 3.500 compartilhamentos no Facebook nesta terça-feira (8) e foi sinalizado como desinformação na ferramenta de verificação da plataforma (veja como funciona).


BRASIL É NOTÍCIA NOS EUA. Capa do Wall Street Journal, se rende a Bolsonaro. Na matéria relata como a economia brasileira voltou ao patamar antes Covid-19, com a criminalidade despencando em níveis mais baixos da história. Recordes de produção de grãos e se tornando o maior exportador de carne do Mundo. Estatais dando lucros jamais vistos e obras estruturais de ferrovias e rodovias em pleno vapor, além da construção no RJ da fábrica de vacinas para 600 milhões de doses anuais que ficará pronta em Novembro.

Posts atribuem informações falsas a matéria do Wall Street Journal

Não é verdade que o jornal The Wall Street Journal atribuiu a recuperação econômica do Brasil ao governo Bolsonaro citando lucros das estatais, obras de ferrovias, fábrica de vacinas no Rio de Janeiro, índices de criminalidade ou recordes de produção de carne, como afirmam postagens nas redes sociais. Ao comentar o retorno do crescimento na economia brasileira, o veículo afirma que a recuperação foi atingida graças a um sacrifício na saúde pública do país e ao desrespeito a medidas de contenção da transmissão do vírus, como distanciamento social e lockdown.

O jornal publicou na capa uma foto e a chamada "Brazil’s economy bounces back while Covid-19 still rages” (“A economia do Brasil se recupera enquanto a Covid-19 segue descontrolada”), sem menção ao governo federal. A reportagem tampouco exalta ações do presidente Jair Bolsonaro e indica que a economia brasileira teria voltado a patamares de 2019, mas que isso só foi possível graças a um estímulo precoce ao retorno das atividades normais e também ao auxílio emergencial de R$ 600 em 2020.

A atuação de Jair Bolsonaro é definida pelo jornal como um desrespeito público às medidas sanitárias, mas que as vacinas e a recuperação econômica podem levar o atual presidente à reeleição. O texto cita ainda que “o presidente Jair Bolsonaro também encorajou os brasileiros a desafiar as restrições de bloqueio dos governos estaduais, dizendo-lhes no final do ano passado para ‘deixarem de ser um país de maricas’”.

Além de omitir o tom da matéria publicada pelo Wall Street Journal, as postagens citam dados falsos. Não há nenhuma indicação no texto de que o Brasil tenha se tornado o maior exportador de carne do mundo, que as estatais brasileiras estariam dando lucros recordes, que as obras de infraestrutura estariam “em pleno vapor” ou que a fábrica de vacinas do Rio de Janeiro ficará pronta no Rio de Janeiro. Aos Fatos já checou desinformação sobre a produção de vacinas e a atuação do governo.

Agricultura. A única informação alegada pelas postagens que de fato consta na matéria do jornal americano é a produção de grãos. Segundo o texto, os agricultores brasileiros apresentaram uma safra recorde no primeiro trimestre de 2021.

A Agência Lupa e o Estadão Verifica também publicaram desmentidos sobre o assunto.

Referências:

1. Wall Street Journal (1 e 2)
2. Estadão
3. Aos Fatos (1 e 2)
4. EBC


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