Reportagem da 'Veja' não comprova que irmãos Miranda e Renan armaram plano contra Bolsonaro

Por Marco Faustino

26 de outubro de 2021, 12h01

Não é verdade que uma reportagem da Veja comprovou que o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, se uniram ao senador Renan Calheiros (MDB-AL) em um plano contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), como alegam postagens nas redes (veja aqui). Um texto publicado na revista na semana passada afirma que, quando os irmãos foram convocados à CPI da Covid-19, um conselheiro presidencial denunciou a existência de um complô, mas não apresentou provas da acusação.

O conteúdo enganoso acumulava centenas de compartilhamentos em publicações no Facebook nesta terça-feira (26).


Deputado Luiz Miranda e irmão faziam parte de um plano com Renan Calheiros para derrubar Bolsonaro, segundo revista

Publicações distorcem informações ao alegar que a Veja, em reportagem veiculada na sexta-feira (22), revelou que o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e o seu irmão Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, armaram plano com o senador Renan Calheiros (MDB-AL) para derrubar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Na reportagem, que abordava os bastidores da CPI da Covid-19, a revista afirma ter sido procurada por um conselheiro do presidente, que não teve seu nome divulgado. Segundo a Veja, o auxiliar de Bolsonaro afirmou ter provas de reuniões secretas entre os irmãos Miranda e os senadores Renan Calheiros e Omar Aziz (PSD-AM), relator e presidente da comissão, respectivamente. A fonte, porém, não trouxe provas sólidas da acusação, tendo apresentado somente um vídeo que mostra um homem não identificado, de máscara facial, entrando por uma porta lateral do Congresso.

Após a reportagem da Veja, o deputado negou relação com Calheiros e Aziz e disse que só os conheceu às vésperas do depoimento na CPI. Ele também disse que irá acionar a PF (Polícia Federal) para que apure o que considera ser uma espionagem contra ele.

Antes da CPI, o MPF (Ministério Público Federal) investigava um suposto favorecimento do Ministério da Saúde, durante a gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello, à empresa Precisa Medicamentos, representante do laboratório indiano Bharat Biotech, que fabrica o imunizante Covaxin. Havia a suspeita de pressões atípicas da cúpula da pasta em áreas técnicas para a aquisição de 20 milhões de doses, no valor de R$ 1,6 bilhão. O custo final por dose era 1.000% maior do que o estimado pela Bharat Biotech em agosto de 2020.

Em 18 de junho, a Folha de S. Paulo divulgou o depoimento do servidor do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, ao MPF. Ele alegou ter sofrido pressão para aprovar os documentos referentes à aquisição do imunizante. As pressões teriam partido do ex-coordenador geral de insumos estratégicos do Ministério da Saúde, Alex Leal Marinho, e do ex-diretor de logística, Roberto Ferreira Dias. O depoimento dos irmãos Miranda à CPI ocorreu em 25 de junho.

Luis Ricardo disse que levou a situação ao irmão, que teria repassado as denúncias ao presidente Jair Bolsonaro. Segundo o deputado, o mandatário disse que acionaria a PF, o que não aconteceu. Em julho, a PGR (Procuradoria Geral da República) pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de inquérito para investigar a conduta de Bolsonaro no caso.

Outro lado. A informação distorcida sobre a reportagem da Veja foi veiculada pelo site bolsonarista Terra Brasil Notícias. Procurados por Aos Fatos, os responsáveis pela página insistiram na versão que publicaram e disseram ter seguido apenas “a lógica da revista e, analisando os fatos, chegamos a essa conclusão hipotética”.

Referências:

1. Revista Veja (Fontes 1 e 2)
2. Folha de SP (Fontes 1 e 2)
3. CNN Brasil
4. Senado Federal
5. G1


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