Relatos gerados por IA exploram tragédia das chuvas em MG

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Foram gerados por IA dois vídeos que supostamente mostram relatos de pessoas afetadas pelos temporais em Minas Gerais. Além de terem origem em perfis que publicam conteúdos sintéticos com recorrência, as gravações apresentam indícios de manipulação, como tom de voz artificial, distorções faciais e inconsistências na física da enxurrada.

As peças somavam mais de 530 mil visualizações no TikTok até a tarde desta quinta-feira (26).

Meu deus do céu, a barragem estourou. Olha isso, olha isso, socorro. E agora, o que vai ser da gente.

Casa de alvenaria com paredes de tijolo aparente e janelas azuis aparece parcialmente cercada por água barrenta em movimento. Ao fundo, encosta de terra úmida indica deslizamento, enquanto lama invade terreno ao redor da construção. Sobre o vídeo, há o texto ‘você sobreviveria a isso’, acompanhado de hashtags relacionadas a barragem, desastres e Minas Gerais.

Posts nas redes enganam ao compartilhar como se fosse real um vídeo em que uma pessoa narra o suposto rompimento de uma barragem em Minas Gerais em razão dos recentes temporais. O registro foi gerado por IA e publicado por um perfil que rotineiramente dissemina vídeos sintéticos.

Além de não haver registros na imprensa de rompimentos de barragens nas cidades mineiras que foram afetadas pelas chuvas desde segunda-feira (26), Aos Fatos identificou inconsistências típicas de conteúdos criados por IA:

  • O portão da casa que aparece em primeiro plano não se move mesmo com a força da enxurrada, diferentemente do que acontece com parte de uma casa e um carro;
Na imagem, vê-se uma casa simples de tijolos aparentes, com janelas azuis, ao lado de um terreno íngreme. Uma enxurrada de lama desce pela encosta e invade o entorno da construção, formando redemoinhos de água barrenta próximos ao portão. Sobre o vídeo, aparece a frase “você sobreviveria a isso”, sugerindo um cenário de desastre natural.
  • A enxurrada no morro ao fundo aparece borrada, traço típico de conteúdos artificiais.
Na imagem, vê-se uma casa simples de tijolos aparentes, com janelas azuis, ao lado de um terreno íngreme. Uma enxurrada de lama desce pela encosta e invade o entorno da construção, formando redemoinhos de água barrenta próximos ao portão. Sobre o vídeo, aparece a frase “você sobreviveria a isso”, sugerindo um cenário de desastre natural.

Um susto. Minas Gerais.

Também foi gerada por IA e publicada por um perfil que dissemina vídeos sintéticos a gravação que supostamente mostra o relato de um homem afetado pelas chuvas.

Ao analisar a gravação, Aos Fatos identificou distorções comuns a conteúdos sintéticos:

  • Contrariando a gravidade, o fluxo de água que aparece no vídeo sobe pela ladeira e segue morro acima;
A imagem mostra uma rua estreita de bairro residencial tomada por uma enxurrada de água barrenta. Moradores correm pelas calçadas enquanto a correnteza desce pela via, passando por um carro estacionado com o portão aberto. Sobre o vídeo, aparece o texto “um susto Minas Gerais”, indicando que o episódio teria ocorrido no estado.
  • Em determinado momento do vídeo, o lábio superior do homem desaparece.
A imagem mostra o close no rosto de um homem molhado, aparentemente ofegante, com gotas d’água no cabelo e na barba, enquanto ao fundo se vê uma rua tomada por lama. Sobre o vídeo aparece o texto “um susto Minas Gerais”, sugerindo que o registro estaria ligado a temporais no estado.

Juiz de Fora, Ubá e outras cidades da Zona da Mata mineira foram devastadas por um temporal entre a noite da segunda-feira (23) e a madrugada de terça (24). As chuvas causaram desabamentos, deixando milhares de desabrigados e ao menos 50 mortos.

Em meio à tragédia, têm circulado nas redes uma série de imagens falsas do desastre. Aos Fatos desmentiu nesta semana dois compilados de vídeos (veja aqui e aqui) gerados por IA que mostravam supostas consequências das tempestades.

O caminho da apuração

Aos Fatos realizou busca reversa para identificar a origem das gravações e localizou as publicações em perfis que divulgam conteúdos sintéticos. A reportagem também verificou a ausência de registros na imprensa sobre rompimentos de barragens nas cidades citadas.

Em seguida, analisamos os vídeos para detectar inconsistências visuais e físicas, como fluxo de água incompatível com a gravidade e falhas nos movimentos faciais.

Referências

  1. g1 (1 e 2)
  2. CNN Brasil (1 e 2)
  3. Aos Fatos (1, 2 e 3)
  4. Minas Gerais

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