Em reação ao STF, bolsonaristas ensinam a burlar bloqueio ao Telegram e migram para outras redes

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Em reação ao bloqueio do Telegram determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), canais bolsonaristas que atuam no aplicativo passaram a divulgar estratégias de como driblar a decisão e a tentar encaminhar seus seguidores para plataformas alternativas — principalmente o Gettr, fundado por um ex-assessor do presidente Donald Trump.

A reportagem analisou a reação de 70 canais com ao menos 5.000 participantes monitorados pelo Radar Aos Fatos. Desses, ao menos 16 sugeriram que seus seguidores burlassem o bloqueio por meio do uso de um servidor proxy ou de um VPN (Rede Virtual Privada, na sigla em inglês). As duas soluções encaminham o tráfego do usuário para um intermediário entre seu computador e o site que ele quer visitar. Na prática, isso dificulta que o provedor de internet saiba qual endereço uma pessoa está acessando.

Mensagens com esse teor circularam acompanhadas de tutoriais em imagens e texto. “Compartilhe com todos que usam o Telegram!!!! Manual anti-censura para o Telegram em smartphones”, dizia uma postagem encaminhada em um grupo de apoiadores de Bolsonaro chamado SUPER GRUPO B-38 OFICIAL, com mais de 64 mil integrantes.

Outra abordagem, usada por ao menos 19 canais analisados, foi iniciar uma campanha para que seus seguidores migrassem para outras redes sociais. O mais citado foi o aplicativo Gettr, mencionado sete vezes. Fundada por Jason Miller, ex-assessor do ex-presidente dos EUA Donald Trump, a plataforma se posiciona como defensora da “liberdade de expressão”.

“Nosso trabalho continuará no Gettr, sigam todos para lá”, escreveu o administrador do canal “O Informante”, que tem mais de 104 mil inscritos, em uma mensagem acompanhada da notícia sobre o bloqueio. Grupos que disseminam teorias conspiratórias comunicaram também a abertura de grupos no Signal, outro aplicativo de mensagens. Houve ainda menções a outras redes, como Instagram (3), Gab (2), Twitter (2), Viber (2), Rumble (2), Facebook (2), Hotmart (1), Discord (1) e Kakao (1).

Até as 18h desta sexta-feira, canais e grupos do Telegram monitorados pelo Radar Aos Fatos seguiam ativos. A exceção era a conta reserva do influenciador bolsonarista Allan dos Santos, criada após ele ser banido da plataforma devido a outra decisão de Moraes, no final de fevereiro. O perfil, que reunia mais de 31 mil inscritos, exibe, agora, a mensagem “não existe conta no Telegram com o nome de usuário @allandossantos2”.

Colaborou o tecnologista Lucas Lago.

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