Queda de mortes por Covid-19 no AM não é consequência de 'tratamento precoce'

Por Priscila Pacheco

15 de abril de 2021, 13h27

Publicações nas redes sociais (veja aqui) enganam ao atribuir a queda de 80% no número de mortes por Covid-19 entre janeiro e março no Amazonas ao chamado "tratamento precoce", que não se provou eficaz contra a doença. Segundo o governo amazonense, a redução seria consequência de medidas restritivas adotadas no início do ano, quando o sistema de saúde do estado entrou em colapso.

Postagens no Facebook com as alegações acumulavam centenas de compartilhamentos nesta quinta-feira (15) e foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da plataforma (veja como funciona).


Após adotar tratamento precoce Amazonas tem queda de 80% no número de mortes desde janeiro

Não se pode atribuir ao conjunto de medicamentos sem eficácia comprovada contra Covid-19, o chamado 'tratamento precoce', a redução de 80% observada nas mortes pela doença no Amazonas entre janeiro e março deste ano. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde amazonense, a queda de 3.536 mortes, em janeiro, para 684, em março, seria resultado das medidas de restrição para atividades econômicas não essenciais no estado. As ações foram adotadas no início deste ano, quando o sistema de saúde colapsou.

Ainda de acordo com a secretaria, o suposto “tratamento precoce” não foi adotado na rede estadual de Saúde. No entanto, em 6 de janeiro, a pasta doou comprimidos do vermífugo ivermectina e do antibiótico azitromicina para as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de Manaus distribuírem para pacientes de Covid-19. Médicos da capital amazonense receitavam os medicamentos até para pacientes assintomáticos. A distribuição não conteve o avanço do vírus na região.

No dia 11 de janeiro, o Amazonas também anunciou que seria o primeiro estado brasileiro a testar o TrateCOV, aplicativo do Ministério da Saúde que estimulava o dito “tratamento precoce”. A ferramenta, que gerou diversas críticas de profissionais de saúde, foi desativada 10 dias após o lançamento.

No mesmo mês, o estado enfrentou escassez de oxigênio para pacientes em estado grave por causa da alta demanda. De acordo com os dados compilados pelo consórcio dos veículos de imprensa, a média de mortes na primeira semana de janeiro era 19. No dia 26, havia avançado para 139. Em maio de 2020, quando o estado enfrentou sua primeira onda da Covid-19, a maior média havia sido 66 óbitos.

No fim de janeiro, Anfremon Neto, coordenador da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Getúlio Vargas, em Manaus, relatou que estava recebendo pacientes com histórico de consumo de drogas que integram o falso tratamento, como ivermectina, azitromicina, hidroxicloroquina e nitazoxanida.

Os estudos nacionais e internacionais mais robustos e revisados por outros cientistas descartaram que essas drogas sejam eficazes para tratar infectados pela Covid-19, como Aos Fatos já mostrou em diversas ocasiões (veja algumas aqui, aqui e aqui).

Procurado, o site Folha Política, que veiculou primeiro esta peça de desinformação, não havia respondido ao pedido de Aos Fatos até esta quinta-feira (15).

O conteúdo enganoso também foi checado pelo Boatos.org.

Referências:

1. Aos Fatos (Fontes 1, 2 e 3)
2. G1
3. Amazônia Real
4. Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Fontes 1 e 2)
5. Poder 360 (Fontes 1 e 2)
6. UOL (Fontes 1 e 2)


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