É distorcida a afirmação feita nas redes de que o governo vai considerar 680 ml de gasolina como um litro do combustível. Na realidade, o Ministério de Minas e Energia estuda proposta de aumentar de 30% para 32% o volume de etanol adicionado à gasolina, para conter a inflação. A mistura é determinada por lei desde 1993 e, em 2024, o Congresso passou uma lei que permite variar esse percentual entre 22% e 35%.
As publicações enganosas acumulavam mais de 150 mil visualizações no X e 4.000 curtidas no Instagram até a tarde desta terça-feira (14).
Governo Lula encontra um ‘jeitinho’ para baratear a gasolina: reduzir um litro para 680 ml.

São enganosas as publicações que alegam que o governo pretende baratear a gasolina ao reduzir o volume de um litro do combustível para 680 ml. Isso é uma distorção sobre um plano divulgado pelo Ministério de Minas e Energia para alterar a mistura da gasolina vendida no país. Diferentemente do que sugerem os posts, a medida é prevista em lei.
A mistura de etanol na gasolina existe no Brasil desde 1933, quando foi criado o Instituto do Açúcar e do Álcool. Hoje, a porcentagem é regida pela lei nº 8.723/1993, que estipula um percentual obrigatório de adição de álcool etílico em 27%.
Uma lei aprovada em 2024, conhecida como Lei do Combustível do Futuro, passou a permitir que o governo federal determinasse um percentual entre 22% e 35% de etanol na gasolina.
Desde 2025, a gasolina comercializada nos postos brasileiros tem 30% de adição de etanol — ou seja, em um litro do combustível, há 700 ml de gasolina e 300 ml de etanol.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), anunciou que o governo pretende aumentar essa porcentagem para 32% ainda no primeiro semestre para tentar diminuir a volatilidade do preço do combustível por causa das flutuações globais do preço do petróleo. Assim, um litro do combustível teria 680 ml de gasolina e 320 ml de etanol, números citados pelas peças de desinformação.
Algumas versões dos posts enganosos afirmam que o governo teria aprovado a Lei do Combustível do Futuro para aumentar essa porcentagem. Essa afirmação, no entanto, ignora que o projeto é de autoria de Jerônimo Goergen (PP-RS), da oposição.
O caminho da apuração
Aos Fatos procurou anúncios recentes do governo federal sobre a alteração do percentual da mistura de etanol na gasolina e também a legislação que regulamenta a área.
Buscamos ainda informações referentes ao histórico dessa medida e encontramos dados em textos acadêmicos sobre o assunto, que foram rechecados com base na legislação citada.





