Propaganda eleitoral de Bolsonaro desinforma sobre atuação do governo na pandemia

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A menos de duas semanas do segundo turno, a campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) reprisou na propaganda eleitoral de televisão desta segunda-feira (17) informações enganosas sobre a atuação do governo federal no combate à pandemia de Covid-19. No vídeo de cinco minutos, veiculado nos horários do dia e da noite, é dito que a vacinação no Brasil foi considerada uma das mais eficientes do mundo e que a gestão federal garantiu as primeiras doses disponíveis no país — o que é mentira.

No início da propaganda, a apresentadora Carla Cecato diz que a primeira vacina foi aplicada no dia 17 de janeiro de 2021 logo após a aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O caso é verdadeiro, mas ocorreu por uma iniciativa do governo de São Paulo, o que é omitido.

Naquele dia, uma estrutura montada no Hospital das Clínicas, na capital paulista, vacinou 112 profissionais de saúde assim que a Anvisa liberou a CoronaVac, imunizante que foi inicialmente desautorizado por Bolsonaro. O Ministério da Saúde, então, decidiu adiantar a distribuição das doses no país para o dia 18 de janeiro.

Em seguida, a propaganda destaca que a vacinação no Brasil foi considerada uma das “mais eficientes” do mundo. Além de ocultar novamente que Bolsonaro desestimulou a vacinação, a campanha desconsidera que o Brasil é o 39º país no ranking de vacinados em números proporcionais, com 80,4% da população imunizada, de acordo com dados do site Our World In Data. Estão na frente do Brasil países como Chile (90,7%), China (89,1%), Portugal (86,7%) e Argentina (83,5%).

O vídeo ainda recorreu à fala, repetida ao menos 115 vezes por Bolsonaro, de que, além da saúde, ele também cuidou da economia durante a pandemia. A declaração é considerada enganosa, uma vez que ele minimizou os riscos da Covid-19 em diversas ocasiões. Afirmou, por exemplo, que a doença era uma “gripezinha”, que o isolamento social seria “conversinha mole” e que as medidas de restrição de circulação seriam para “os fracos”. O presidente também desrespeitou recomendações sanitárias ao causar aglomerações e circular sem equipamento de proteção.

Por fim, a propaganda eleitoral destaca como conquista do presidente o Auxílio Emergencial de R$ 600. O valor está correto, mas a proposta inicial do Ministério da Economia, anunciada no dia 18 de março de 2020, era pagar R$ 200. O valor aumentou depois de negociações com o relator do projeto de lei sobre o assunto, Marcelo Aro (PP-MG), e com o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia (sem partido), que defenderam publicamente o pagamento de R$ 500 por mês. Posteriormente, negociação com o governo federal determinou que o valor seria de R$ 600. O texto foi aprovado pelo Senado no dia 30 de março e sancionado pelo presidente no dia 2 de abril.

Outro lado. O Aos Fatos entrou em contato com a assessoria de imprensa do presidente Jair Bolsonaro, mas não obteve retorno até a publicação.

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