Projeto Amazônia Conectada não é obra do governo Bolsonaro

Por Luiz Fernando Menezes

10 de fevereiro de 2020, 17h40


Não é verdade que o projeto Amazônia Conectada, que prevê a instalação de 7.800 quilômetros de fibra ótica na região amazônica, tenha sido lançado pelo governo Bolsonaro, especificamente pelo ministro Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações). Diferentemente do que afirmam publicações nas redes sociais, o programa foi lançado em julho de 2015, na gestão de Dilma Rousseff.

O conteúdo falso (veja aqui) é acompanhado de um vídeo que mostra a inauguração de uma etapa do projeto ocorrida em 2016. Segundo o site oficial do programa e o TCU (Tribunal de Contas da União), nenhum trecho da expansão foi concluído desde 2017.

A informação enganosa foi difundida por perfis pessoais e páginas no Facebook, onde acumulava ao menos 1.000 compartilhamentos até a tarde desta segunda-feira (10). Todas as postagens foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da rede social (saiba como funciona).


FALSO

Amazônia conectada, um projeto do Governo Bolsonaro.

Governo Bolsonaro, através do Ministro Marcos Pontes - Ciência e Tecnologia / Exército Brasileiro deram início ao maior programa de interligação via internet do mundo através de rios. Toda a Região da Amazônia, inclusive territórios indígenas terão conexão direta com o mundo todo.

O programa Amazônia Conectada, que tem o objetivo de levar internet à região amazônica via fibra ótica, não é atual nem obra do governo Bolsonaro, como afirmam publicações compartilhadas nas redes sociais. O projeto foi lançado em 2015, na gestão de Dilma Rousseff (PT), e não teve qualquer avanço desde 2017.

O vídeo compartilhado juntamente com o conteúdo enganoso mostra a conclusão de uma etapa do programa em 2016 e pode ser encontrado na internet desde então. À época, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações noticiou a instalação dos primeiros 242 km de fibra ótica entre os municípios de Coari e Tefé.

O projeto. O programa Amazônia Conectada tem o objetivo de expandir a infraestrutura de comunicações da região amazônica por meio de redes ópticas subfluviais. A meta é instalar 7.800 quilômetros para atender 3,8 milhões de habitantes. Segundo a página oficial do projeto, foram instalados 849 km de cabos de fibra óptica em seis trechos diferentes até meados de 2017.

Em outubro de 2019, o TCU (Tribunal de Contas da União) fez uma auditoria do projeto e constatou que havia “deficiências na estrutura de governança”, “falhas na coordenação e na definição de responsabilidade dos órgãos competentes” e “insuficiência de recursos”. Até a conclusão do relatório, o projeto não havia apresentado nenhuma atualização e estava parado nos 849 quilômetros entregues.

Aos Fatos entrou em contato com os ministérios da Defesa e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações para saber a situação atual do programa. O Ministério da Defesa foi o único que respondeu os questionamentos dizendo que o projeto esteve realmente parado entre abril de 2017 e o final de 2019, mas afirma que após esse período de interrupção "foram retomados os trabalhos, visando a manutenção dos trechos indisponíveis e uma nova conexão subfluvial, entre Novo Airão e Barcelos, com cerca de 330 km de extensão no Rio Negro". Ainda não há informações sobre a conclusão desse trecho.

Atualmente, uma nova proposta de configuração do programa, rebatizado de Amazônia Integrada Sustentável, tramita no Senado. Segundo apresentação técnica do projeto, o objetivo é a “implantação de uma infraestrutura de rede de telecomunicações, para transporte de dados na região da Amazônia, através de cerca de 10.000 km de cabo de fibra óptica subfluvial, 778 km de cabo submarino e 498 km de cabo terrestre, formando um ‘cinturão óptico’”.

O Boatos.org também desmentiu a desinformação.

Referências:

1. Exército Brasileiro (Fontes 1, 2 e 3)
2. MCTIC
3. JusBrasil
4. Câmara dos Deputados


Esta checagem foi atualizada às 16h22 do dia 13 de fevereiro de 2020 para acrescentar a nota do Ministério da Defesa que explica a situação atual do programa.