Não mostra uma situação real o vídeo em que homens vestidos como detentos circulam pelo corredor de uma carceragem usando celulares. As imagens exibem atores nos bastidores de um videoclipe do MC Bó do Catarina na antiga sede do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) em Belo Horizonte (MG).
O vídeo tem sido usado em posts que criticam a proibição de visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e acumulava mais de 110 mil interações no TikTok nesta quarta-feira (15).
BRASIL DE LULA: ENQUANTO BOLSONARO NÃO PODE FALAR COM O FILHO, PRESOS DESFILAM COM CELULARES DENTRO DOS PRESÍDIOS.

Posts enganam ao tirar de contexto um vídeo que mostra homens com uniforme de detento usando celulares no corredor de uma carceragem. As imagens foram gravadas nos bastidores de um videoclipe musical. As pessoas caracterizadas como presos são, na realidade, atores.
Em busca reversa, Aos Fatos identificou que imagens semelhantes foram divulgadas em dezembro do ano passado no TikTok pelo influenciador Mano Julin. No vídeo, ele diz que participou da gravação de um clipe do MC Bó do Catarina no antigo Dops de Belo Horizonte.
De fato, o vídeo da música “Vida Loka Também Ama”, que estreou naquele mês, mostra o mesmo cenário e as mesmas pessoas que aparecem no trecho usado pelas peças de desinformação (veja abaixo).


O artigo 349 do Código Penal proíbe o uso de celulares em presídios, mas a entrada e uso desses aparelhos em penitenciárias é de fato um problema em unidades prisionais de Brasil todo. Segundo o Ministério da Justiça, 7.966 aparelhos foram apreendidos com detentos nos últimos três anos pela Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais).
Decisão de Moraes
O vídeo descontextualizado tem sido compartilhado nas redes em meio às críticas de bolsonaristas à decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes que proibiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar seu pai na prisão domiciliar por 90 dias.
O magistrado proferiu a decisão nesta segunda-feira (13) após Flávio ler, durante uma transmissão ao vivo, uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para o ministro, o material foi produzido com o objetivo de ser divulgado nas redes, o que caracteriza, segundo Moraes, descumprimento da medida cautelar.
Flávio recorreu à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para tentar reverter a decisão argumentando que integra a defesa do ex-presidente e, por isso, deveria ter direito a ter uma comunicação livre com ele. A entidade concordou com o senador.
O caminho da apuração
Aos Fatos fez uma busca reversa pelas imagens e encontrou vídeos semelhantes no TikTok. A reportagem fez comparações entre as pessoas e o local que aparecem nas gravações e constatou que se trata do mesmo contexto.
Aos Fatos também consultou dados referentes à apreensão de celulares em presídio e procurou informações referentes à decisão de Alexandre de Moraes em relação à proibição de visitas de Flávio a Jair Bolsonaro.





