Presidente do México não ofereceu asilo a Nicolás Maduro

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Não é verdade que a presidente do México, Claudia Sheinbaum, ofereceu asilo político ao ditador Nicolás Maduro após pressão dos Estados Unidos contra o líder venezuelano, como alegam posts nas redes. O vídeo compartilhado pelas peças de desinformação teve o áudio manipulado por IA (inteligência artificial).

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam centenas de compartilhamentos no X e mais de 30 mil visualizações no TikTok até a tarde desta terça-feira (26).

Claudia Sheinbaum, presidente do México, oferece proteção a Maduro. A ideologia sendo posta acima da soberania nacional e do povo mexicano.

Print de publicação no X com a frase: ‘Claudia Sheinbaum, presidente do México, oferece proteção a Maduro. A ideologia sendo posta acima da soberania nacional e do povo mexicano’. Abaixo, aparece a imagem da presidente do México, Claudia Sheinbaum — mulher branca de cabelos loiros lisos, que veste um blazer preto e uma blusa roxa. Ao centro, está escrito: ‘Mexico protege a Maduro’. Abaixo, está uma imagem do ditador venezuelano Nicolás Maduro — homem branco de cabelos e bigode grisalhos, que usa terno escuro, camisa branca e gravata. A cena está em preto e branco e, ao fundo, aparece a bandeira da Venezuela, em amarelo, azul e vermelho com estrelas brancas.

Posts nas redes têm compartilhado um vídeo que teve o áudio adulterado por inteligência artificial para alegar que a presidente do México teria oferecido asilo a Nicolás Maduro. Na dublagem falsa, Claudia Sheinbaum afirma estar disposta a oferecer proteção ao ditador venezuelano “pelo tempo necessário”.

Por meio de busca reversa, Aos Fatos identificou a transmissão original, publicada no canal da chefe de Estado no YouTube no último dia 19. Em nenhum momento da conferência ela menciona a possibilidade de abrigar o ditador venezuelano.

Ao longo de seu discurso, Sheinbaum menciona a tensão entre Estados Unidos e Venezuela ao responder a pergunta de uma jornalista sobre o posicionamento do México diante da questão. Na ocasião, ela disse que não apoiava o intervencionismo americano e defendeu a “autodeterminação dos povos e a solução pacífica de controvérsias” (veja abaixo).

Há diversos indícios na peça enganosa que reforçam que o registro foi adulterado por inteligência artificial. Exemplos disso são a marca d’água presente no canto inferior esquerdo da imagem com os dizeres “AI-generated” (gerado por IA) e a voz com aspecto artificial, comum a conteúdos manipulados digitalmente.

Imagem destaca uma marca d’água que remete a uma ferramenta de inteligência artificial onde está escrito: ‘AI-generated’ (gerado por IA).
Imagem destaca uma marca d’água que remete a uma ferramenta de inteligência artificial onde está escrito: ‘AI-generated’ (Reprodução/TikTok)

Ofensiva americana. Os Estados Unidos têm escalado na ofensiva contra Nicolás Maduro desde o início deste mês. O governo anunciou o aumento da recompensa a quem fornecer informações que possam levar à prisão do ditador e enviou navios de guerra e aviões para a costa da Venezuela.

No último dia 19, a porta-voz da gestão Trump, Karoline Leavitt, disse que o governo vai usar “toda a força” contra Maduro, acusado oficialmente de narcoterrorismo durante o primeiro mandato de Trump.

Esta peça de desinformação também foi verificada pela agência mexicana Infodemia.

O caminho da apuração

Aos Fatos realizou uma busca reversa de imagem e encontrou a transmissão original do vídeo usado pelas peças enganosas publicado no dia 19 de agosto no canal oficial de Claudia Sheinbaum no YouTube. A reportagem então assistiu ao vídeo e constatou que Sheinbaum não ofereceu proteção ao ditador venezuelano Nicolás Maduro.

A partir de uma análise da gravação, identificamos ainda indícios de que a cena foi manipulada por inteligência artificial.

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