Posts usam IA para alegar que EUA teriam bombardeado caças pintados no chão por iranianos

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Não é verdade que fotos provam que os EUA bombardearam imagens de caças desenhados no chão por iranianos. Os registros que circulam nas redes foram gerados por ferramentas de IA. Não há provas de que americanos tenham tentado explodir pinturas de aeronaves feitas por forças do Irã.

Publicações com o conteúdo sintético acumulavam mais de 1 milhão de visualizações no X, 200 mil visualizações no TikTok e 4.000 curtidas no Instagram até a tarde desta quarta-feira (11).

Os EUA gastaram mais de US$ 100 milhões em bombardeios que atingiram DESENHOS feitos no chão pelos iranianos! Os desenhos são feitos em parte com uma tinta metálica que engana até os sensores de calor dos EUA!!!

Vista aérea de área desértica com pista asfaltada atravessando o cenário. Ao lado da pista, há vários desenhos no chão representando aviões de combate, mísseis e equipamentos militares, feitos com tinta escura sobre a areia. Parte dos desenhos está cercada por marcas de explosões e crateras no solo, além de manchas de tinta laranja. Pequenas construções e veículos aparecem espalhados ao redor da pista. Acima do vídeo, aparece um texto que diz: ‘Os EUA gastaram mais de US$ 100 MILHÕES em bombardeios que atingiram DESENHOS feitos no chão pelos iranianos!! Os desenhos são feitos em parte com uma tinta metálica que engana até os sensores de calor dos EUA!!’.

Imagens geradas por IA têm sido compartilhadas nas redes para sugerir que os americanos teriam caído em uma armadilha ao bombardear desenhos de aeronaves feitos no chão por iranianos. Por meio de busca reversa, Aos Fatos identificou que a publicação original contém marcas do Gemini, ferramenta de inteligência artificial do Google.

Vista aérea de área desértica com pista asfaltada à esquerda e grande superfície pavimentada ao lado. Sobre o pavimento, há desenhos grandes em tinta escura representando aviões de combate, mísseis, bombas e estruturas militares, organizados em grupos. Ao redor dos desenhos, aparecem crateras e marcas de explosões no chão, além de manchas de tinta laranja. Pequenos edifícios e galpões estão espalhados ao fundo, e alguns veículos e equipamentos aparecem próximos à pista.
Publicação original, no TikTok, mostra marca d’água do Gemini (Reprodução)

Alguns registros que disseminam a mesma alegação omitem o logotipo da ferramenta. Eles contêm, no entanto, marcas da IA do Google identificáveis pelo SynthID.

A história começou a circular no início de março, com a publicação no X de um vídeo que supostamente mostraria o bombardeio de pinturas de aeronaves (veja abaixo). O post enganoso foi, inclusive, chancelado como verdadeiro pelo Grok, ferramenta de IA da plataforma.

Publicação no X. No topo, aparece o perfil ‘Korobochka (@cirnosad)’, acompanhado de emojis de bandeiras e um símbolo religioso. O texto da publicação, em inglês, afirma que os Estados Unidos estariam bombardeando desenhos de aviões F-14 e que aeronaves iranianas teriam sido colocadas no subsolo antes da guerra. Abaixo, há a miniatura de um vídeo em preto e branco que parece ser uma imagem aérea ou de sensor térmico de um ataque, mostrando duas formas no chão semelhantes a aviões e uma área com fumaça ou explosão. No canto inferior do vídeo aparece o texto ‘Strikes on F14 Fighter Jets in a Tehran Airport’.
Vídeo descontextualizado, publicado no dia 4 de março, sugeria que EUA bombardearam pinturas de caças (Reprodução/X)

O vídeo que aparece nas publicações, no entanto, está disponível na internet desde junho de 2025, muito antes da escalada do conflito no Oriente Médio. A gravação original foi publicada pelas Forças de Defesa de Israel e, segundo a instituição, mostra a destruição de dois caças F-14 no aeroporto de Teerã.

Já naquela época, circularam alegações de que os caças atingidos seriam pinturas ou “iscas de madeira”. Não há, no entanto, provas de que se tratava de aeronaves falsas.

O caminho da apuração

Aos Fatos fez buscas reversas das imagens que têm sido compartilhadas nas redes e encontrou as publicações originais. Outras fotos, cujas origens não puderam ser confirmadas, foram analisadas por meio do Synth ID, ferramenta do Google que verifica a presença de marcas de uso de IA.

Também procuramos pela origem do boato, que começou a crescer após a publicação de um vídeo descontextualizado no X em 4 de março. Realizamos buscas na imprensa israelense para contextualizar a gravação.

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