Posts manipulam áudio de gravação para alegar que Maduro renunciou à presidência da Venezuela

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Não é verdade que o ditador venezuelano Nicolás Maduro afirmou em entrevista que irá renunciar à presidência do país. A gravação que circula nas redes teve o áudio alterado por meio de ferramentas de inteligência artificial. Não há registros públicos de que o mandatário tenha dado declaração semelhante.

Publicações com conteúdo falso acumulavam cerca de 3.000 curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta terça-feira (20).

MADURO SENTIU A FORÇA DELTA E VAI ENTREGAR O PODER PARA EDMUNDO GONZALES ( TRUMP 🤨)

A imagem está dividida em duas partes, com um texto central em destaque. Na parte superior, há uma foto de Nicolás Maduro discursando em um ambiente fechado, com expressão séria e a mão erguida. No centro da imagem, sobreposto a ambas as partes, aparece um texto em caixa alta e letras brancas sobre um fundo azul claro que diz: 'MADURO SENTIU A FORÇA DELTA E VAI ENTREGAR O PODER PARA EDMUNDO GONZALES (TRUMP)'. Na parte inferior, há uma foto de María Corina Machado e Edmundo González de mãos dadas e braços levantados. Eles estão ao ar livre, com céu azul, e ao lado esquerdo de María há uma bandeira da Venezuela tremulando e uma árvore atrás.

Posts nas redes têm compartilhado uma versão adulterada de uma gravação antiga para sugerir que Maduro teria renunciado à presidência da Venezuela. O áudio da gravação foi manipulado por ferramentas de inteligência artificial. Em busca nas redes e na imprensa, Aos Fatos não encontrou nenhum registro de declaração semelhante.

Por meio de busca reversa, a reportagem encontrou o vídeo original usado para gerar as peças desinformativas. A gravação mostra uma entrevista à imprensa dada por Maduro em 16 de abril de 2024.

À época, o ditador enviou uma mensagem para então presidente dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden:

“Nunca fecharei a porta do diálogo com ninguém. Digo aos negociadores que digam ao presidente Biden a seguinte mensagem: If you want, I want. If you don’t want, I don’t want. Em caraquenho [relativo à Caracas, capital da Venezuela]: se você quer, eu quero. Se você não quer, eu não quero. Ponto final”.

A declaração ocorreu dias depois de Washington anunciar que não renovaria uma licença temporária que havia flexibilizado amplamente as sanções sobre o setor de petróleo e gás da Venezuela, a menos que o regime se comprometesse em realizar eleições livres no país.

O caminho da apuração

Por meio de busca reversa, Aos Fatos encontrou a gravação original e constatou que nela não há qualquer menção a uma suposta renúncia. Também não há registro de declarações similares na imprensa.

Referências

  1. Infobae
  2. CNN Brasil

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