Não é verdade que a PF (Polícia Federal) revelou um dossiê contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e um irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apontando movimentações financeiras irregulares. Aos Fatos verificou que a história compartilhada por publicações nas redes sociais foi inventada.
As peças enganosas acumulavam centenas de visualizações no TikTok e no Kwai até a tarde desta terça-feira (9).
Acabou. A Polícia Federal acaba de soltar uma bomba que pode explodir de vez o clã Bolsonaro

Posts nas redes compartilham um vídeo que afirma que a PF revelou um dossiê contra o deputado Nikolas Ferreira e um irmão de Jair Bolsonaro após investigação por movimentações financeiras suspeitas. Por meio de busca reversa, Aos Fatos localizou o vídeo original no Kwai e constatou que a história foi inventada.
No post original há uma mensagem alertando de que o conteúdo é fictício, criado apenas para entretenimento (veja abaixo). A mesma mensagem, que aparece apenas para quem acessa o conteúdo pelo aplicativo do Kwai no celular, também consta em outros vídeos do mesmo perfil. Boa parte do conteúdo é de histórias inventadas.

Em busca no site da Polícia Federal, meio pelo qual a corporação compartilha todas suas ações e operações, Aos Fatos não localizou qualquer informação sobre dossiês ou investigações em andamento contra o parlamentar ou irmãos de Bolsonaro por movimentações financeiras irregulares.
Há também elementos na história compartilhada pelos posts enganosos que denotam seu caráter ficcional:
- Não é citado o nome do irmão de Bolsonaro que teria sido alvo da PF, nem são apresentados documentos ou endereços para acesso ao suposto dossiê;
- Embora sejam exibidas imagens do deputado Nikolas Ferreira, na história é mencionado que o alvo da polícia seria um assessor de Bolsonaro também chamado de Nikolas Ferreira;
- Não há registros públicos, no entanto, que Bolsonaro já teve um assessor homônimo do deputado.
É fato, no entanto, que no ano passado a PF abriu um inquérito contra Ferreira após ele dizer em um evento da ONU (Organização das Nações Unidas) que o presidente Lula (PT) era um “ladrão que deveria estar na prisão”. A PF concluiu que o deputado cometeu injúria, mas não o indiciou por entender que o crime era de menor potencial ofensivo.
O caminho da apuração
Aos Fatos realizou busca reversa do vídeo compartilhado para localizar sua publicação original e verificar o contexto em que foi divulgado. A reportagem acessou o conteúdo diretamente pelo aplicativo do Kwai para confirmar a existência de indicação de que se tratava de uma peça de ficção, além de analisar outras produções do mesmo perfil para identificar padrão semelhante.
Também foram consultados registros públicos e comunicados disponíveis no site da Polícia Federal para verificar se havia dossiês ou investigações relacionadas às pessoas mencionadas. A checagem incluiu busca por processos, notas oficiais e informações recentes divulgadas pela corporação.




