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Posts enganam ao indicar uso de remédios sem eficácia comprovada contra Covid-19

Por Priscila Pacheco

6 de janeiro de 2021, 17h27

Publicações nas redes alegam que o uso de hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, vitamina D e zinco seria capaz de matar o novo coronavírus (veja aqui), mas a eficácia desses medicamentos e substâncias contra o Sars-CoV-2 não foi comprovada cientificamente até o momento. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), ainda não há droga, alimento ou vitamina que tenha se provado capaz de prevenir ou tratar a Covid-19.

A promoção de tratamentos sem eficácia comprovada contra a infecção tem sido recorrente em postagens nas redes sociais desde o início da pandemia. Desta vez, a peça de desinformação reunia ao menos 5.000 compartilhamentos no Facebook nesta quarta-feira (6) e foi marcada com o selo FALSO na ferramenta de verificação (saiba como funciona).


Isso mata o vírus! Por que não utilizá-los? Deveria ser dado gratuitamente nos postos de saúde.

Não há comprovação, ou mesmo indícios, de que o uso continuado de hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, vitamina D e zinco seja capaz de eliminar o novo coronavírus. O tratamento com estes medicamentos têm sido indicado em postagens que circulam nas redes sociais, embora não exista hoje droga capaz de deter ou curar a infecção por Covid-19, como afirma a OMS (Organização Mundial da Saúde).

As únicas drogas hoje indicadas pelo órgão das Nações Unidas são corticosteróides como dexametasona e prednisona, mas ministradas apenas por médicos a pacientes em estado grave e crítico. Isso porque o projeto Recovery, maior ensaio clínico do Reino Unido, mostrou que, para pacientes com ventiladores mecânicos, o tratamento com esses remédios reduziu a mortalidade em quase um terço, e, para os que requerem apenas oxigênio, caiu em cerca de um quinto.

Hidroxicloroquina. Apesar de ser autorizada no Brasil e ser defendida pelo governo federal para tratar precocemente a Covid-19, a droga derivada da cloroquina continua sem resultados satisfatórios em pesquisas para tratar a enfermidade.

Em agosto de 2020, uma revisão de 29 estudos mostrou que a hidroxicloroquina isolada não diminuía a mortalidade causada pela Covid-19. Em outubro, o Recovery também publicou que o seu ensaio clínico randomizado e controlado indicou que a droga aplicada em pacientes hospitalizados não reduziu a mortalidade.

Além disso, no mesmo mês, um estudo com foco em pacientes sintomáticos com Covid-19 leve inicialmente, mas que não necessitavam de internação, apontou que a substância não diminuiu a gravidade dos sintomas.

A droga também não tem apresentado resultados efetivos para prevenção. Publicação de novembro afirma que, apesar de faltar evidências definitivas, a hidroxicloroquina não funcionou para prevenir a doença. Em junho, uma pesquisa já havia apresentado resultados similares.

Até o momento, a cloroquina e sua derivada hidroxicloroquina têm resultados comprovados para tratar somente malária, lúpus e artrite reumatóide.

Ivermectina. A droga autorizada em diversos países para tratar verminoses e infestação de ácaros e insetos, como o piolho, mostrou inibição da replicação do Sars-CoV-2 em ambiente laboratorial. No entanto, ainda não há evidências que comprovem que ela haja no corpo humano para combater a Covid-19. Em 9 de dezembro de 2020, a Sociedade Brasileira de Infectologia reforçou que não recomenda a ivermectina contra Covid-19 dada a falta de resultados positivos oriundos de estudos clínicos randomizados com grupo controlado.

Azitromicina. O medicamento é um antibiótico. Logo, não age diretamente contra vírus, mas sim para infecções bacterianas. Entretanto, alguns pacientes com Covid-19 também podem apresentar pneumonia causada por bactéria. Nesses casos, médicos podem receitar antibióticos como a azitromicina para tratar a coinfecção. Por fim, resultados preliminares divulgados pelo Recovery em 14 de dezembro de 2020 apontam que a droga não trouxe benefícios para tratar diretamente a Covid-19 em pacientes hospitalizados.

Vitamina D e zinco. De acordo com a OMS, micronutrientes, por exemplo, a vitamina D e o zinco, são importantes para o bom funcionamento do sistema imunológico e para uma boa nutrição, mas não há orientação para que eles sejam consumidos especificamente para o combate da Covid-19 nem evidência de que possam eliminar o vírus.

Além disso, o uso de suplementos não é necessário para equilibrar as substâncias no organismo, basta manter uma alimentação balanceada. A suplementação é indicada somente quando o profissional de saúde diagnosticar por meio de exames alguma deficiência.

Referências:

1. Aos Fatos
2. Projeto Recovery (Fontes 1, 2 e 3)
3. CMI
4. ACP Journals
5. NEJM (Fontes 1 e 2)
6. Elsevier
7. FDA (Fontes 1 e 2)
8. Sociedade Brasileira de Infectologia
9. OMS (Fontes 1 e 2)


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